domingo, 8 de abril de 2012

Sem raça definida.

Um bar qualquer no meio da Zona Norte e eu já imaginando que você não vem te espero para termos nossa última conversa. Domingo de tarde, sol escaldante e eu engulo um rabo de galo como se fosse água gelada esperando que a tremedeira nervosa ou os batimentos cardíacos acelerados diminuam um pouco, pensando que teria sido melhor ficar em casa vendo o Domingão do Faustão.

Entre cervejas baratas, pessoas falando alto e seu atraso de quase meia hora, eis que minha atenção é tomada. Como se desafiasse cada um de nós a tentar fazer o mesmo movimento elástico e ousado, no meio da calçada de cimento, o vira-latas lambe seu próprio pau com esmero. Magro e decadente, porém forte e auto-sufiente, o cão pede comida aos bêbados que o enxotam para longe com chingamentos, copos de cerveja gelada ou chutes. Sem desistir, o cão dá uma volta na rua cheirando o chão desesperado, como se tentasse encontrar um lugar melhor, e faminto e fracassado, acaba voltando para o mesmo lugar.

Por pura falta do que fazer e em uma tentativa de me distrair e te esquecer por alguns minutos eu compro um espetinho de churrasco de aparência duvidosa, mas com um cheiro maravilhoso, e chamo o cachorro, que vem prontamente, desconfiado, com a língua grande pendendo para o lado da boca e pingando saliva. Com o rabo entre as pernas e encolhido, ele se aproxima aos poucos. Os papéis parecem invertidos, e como se quisesse ganhar minha confiança, lambe minha mão. Rápido como a força da gravidade, o cão come a carne sozinho e me agradece com um olhar benigno e a bocarra aberta como se sorrisse, as presas a mostra, virando e indo embora, trazendo de volta o clima de enterro para dentro da minha cabeça.

Em menos de 10 minutos, torna-se insuportável esperar por você, que a essa altura (na verdade antes mesmo de sair de casa) eu já sabia que não viria. O melhor que posso fazer é pegar quase duas horas de viagem de volta pra casa e apagar você de mim, os cheiros, a voz, o telefone, os defeitos...não vai sobrar nada, da mesma forma que não sobrou nada de mim. E no fim das contas foi sempre assim, não só com você mas em todos os aspectos e possibilidades da minha vida. Eu sou o cachorro magro e sarnento correndo atrás do próprio rabo atrás de algo que nunca irei encontrar.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Prato do Dia

Arroz, feijão e Satanás.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

F(r)iend

You can be a good friend, but not a friend of mine.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Pra você, que não vai ler

Eu sou o provedor
Doador, dôo a dor
Minha dor, poesia,
Mais do que você merecia
Seus olhos de esfinge desviam dos meus
E eu não quero te olhar nunca mais

Animal vertebrado,
Sozinho ao seu lado,
Eu não fico nunca mais

Autodidata, passou da data,
Validade de consumo expirada
Cuidado com a diarréia

O Ing e o yang estão fazendo 69
Os ponteiros do relógio estão fudendo
Quanto mais eu rasgo, menos remove,
Percebo que sou eu que estou morrendo

E você tropeça numa poça de porra
E eu me afogo numa poça de lágrimas
A gente só tem aquilo que merece
E eu acabo de entender porque não tenho nada

sábado, 26 de novembro de 2011

"Quero muito dinheiro e uma vida melhor, antes que o castelo se transforme em ."

sábado, 5 de novembro de 2011

Dança

Aceita a última dança? Só sei dançar uma única coreografia, é quase como valsa. Dois passos para a frente, cem passos para trás.
E essa é a história da minha vida.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Telefonema

- Alô.
- Oi, tudo bem?
- Não.
- É, por aqui também não...liguei pra saber de você...
- Que merda, né?
- Mais ou menos...sua voz tá horrível.
- Brigado. Que você almoçou hoje?
- Comi pão de queijo com queijo cheddar e Matte Leão, e você?
- Meio maço de Marlboro vermelho, Heineken e Bubbaloo de morango.
- Vai se fuder!
- Tudo bem, boa tarde.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meu remédio é o meu veneno.