quinta-feira, 7 de maio de 2015

Cartinha de Amor Aleatória

Sua voz enche o ar e me envolve como um cobertor, bem quentinho. Mesmo quando briga comigo, mesmo quando quando não diz nada. Teu olhar fala por você. Par de olhões jabuticaba que não me enganam nem quando tentam. Isso te frustra. A mim também. Vai ver um pouquinho de engano e ilusão às vezes faria bem. Vai ver a melhor coisa que a gente poderia fazer no mundo nesse instante fosse se enrolar juntinhos num pano pra assistir um filme açucarado. E dormir antes da metade do filme, haha. 

Todos os altos, os baixos, os terrenos planos e os planos, os sonhos e as desilusões também, sendo trechos dessa viagem como pontos turísticos, alguns onde se passa mais tempo que outos, alguns nem tão bonitos assim. Viagem essa que não tem destino, a gente só vai, mas vai junto. Mesmo sem tar junto. Descobrindo cada curva dessa montanha russa, sempre dividindo o mesmo copo, porque é mais gostoso que beber separado. 

- "Cadê o copo dele?"
- "O copo dele é o meu."


Entre beijinhos de chegada e de despedida, entre pontes aéreas e entre vidas passadas e futuras, a gente vai ao longo dos anos construindo a quatro mãos, tijolinho por tijolinho nosso castelo, que é todo torto mas bem quentinho e confortável. Como a minha asa pra você, como o teu colo pra mim. Vivendo de saudade e de amor, vivendo por ambos, que são gana de vida, de felicidade.  Entre cenas (muitas cenas, rs) e atos a gente escreve nosso romance tragicômico dramático (pra caralho) meio que já sabendo (e desejando) que no último capítulo a gente ainda teja junto de cabelo bem branquinho e talvez até dando beijinho com a boca banguela. No fim das contas as opiniões alheias não tem crédito ou base quando o que é nosso é só nosso e de mais ninguém, só a gente sabe.

- "Ah, Dindi, se tu soubesse..."


No fim de todas as briguinhas a gente sempre relembra que o outro ainda tá presente pra um abraço. Na inconstância de humor das TPMs nunca falta um carinho. Nas choradeiras bêbadas nunca falta uma lambida pra secar as lágrimas, como dois gatinhos, nunca falta um abraço quente e conforto pra alma, nem nos "anos de solidão" mais solitários da vida inteira, rs. Nos cinzas mais negros e espinhosos nunca falta uma palavra amiga ou um esporro (BRAAABA!), quando necessário, pois amigos não são pra falar só aquilo que a gente quer ouvir. Nas maiores brabezas nunca falta uma implicância (e como a gente adora implicar com o outro!) que faça surgir uma gargalhada. Não importa qual o pesar, o apesar, que é esse amor sempre supera e cresce, "apesar de tudo"...


Todos esses anos de segredos e descobertas, a gente já se ensinou e aprendeu tanto juntos...nessa troca de professor e aluno, troca de fluidos corporais e de qualquer outra coisa possível de se compartilhar...nosso primeiro encontro da forma mais improvável possível virou paixão quase que de imediato...paixão por anos reprimida, negada, atropelada, difícil, linda. E hoje, quase uma década depois é essa coisa maior que a gente, maior que a estrada e qualquer coisa que se ponha no caminho. Esse amor desafiador, rebelde, as vezes inconsequente. Todos esses anos compartilhando tanta coisa da alma...vai ver ninguém me conhece tão bem quanto você e ninguém te conhece tão bem quanto eu. 

- "Meu arroto, meu peido, eu comendo feito uma ogrinha...você é o único que já teve acesso a essas coisas."
- "Que privilégio!"


Sim, privilégio, meu bem. Nossa intimidade é a coisa mais gostosa do pacote...essa liberdade de estar a vontade o tempo inteiro, de se aceitar porque se ama, de se admirar, essa lealdade tão doida. Sem contar os charminhos e as provocações, os apelidinhos bobos (e hoje em dia nome de verdade é só pra hora das briga, rs ) e toda a manha e o dengo do mundo...é bom demais poder ser teu amigo, teu amante, companheiro. 


Já faz tanto tempo, pretinha e de alguma forma parece que ainda é só o começo...a menininha e o muleque viraram mulher e homem, quase marido e mulher. 

- "Tá quase casado e me chama de peguete?!?!"
(duas hora de brabeza e bico.)


Enfim, não sei muito bem onde quero chegar com isso nem quando lê...já falei pra caralho e nem falei coisa nenhuma no fim das contas. Acho que só queria mesmo falar de amor. Meu amor, que é teu. O resto, você já sabe todos os dias. O resto é segredo. O resto a gente encara, ou só fica de preguiça e nem levanta da cama.

- "Vamo tomar uma atitude pra vida e levantar no 3!"
- "Um...dois...três!"
(continuamos deitados, rs)


Mil beijinhos,

Preto.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Contra

Sigo contra o vento
Contraventor
Por caminhos que levam
À lugar nenhum.
Passo torto.

Nado contra a maré
Remando a preamar
Por aguas que lavam
Mas não limpam.
Sem um porto.

Corro contra o tempo
Contratempo
Cada respiração
É um sopro de morte.
Reconforto.

Vivo contra a regra
Contraregra
De um cenário vazio
Onde sou figurante.
Aborto.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Corrida dos Ratos

"Imagine uma gaiola, onde o rato corre dentro dela, 
Ele corre até se cansar
E nunca chegará em lugar nenhum, 
São bichinhos correndo em direção ao abismo"

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ditado

De grão em grão a galinha enche o saco.

domingo, 5 de outubro de 2014

Vendo

Vendo minha alma ao diabo.
Ou a quem quiser comprar.






sexta-feira, 3 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Lembra de Mim

O Sol
São as velas que iluminam o teu quarto
E o lençol
Acobertando as dores desse parto que é partir
E eu sinto em mim
A dor de ter que ir embora e te deixar
Esse é o fim
E eu parto sem saber quando irei voltar

Enquanto o relógio nos permite
Me abraça e não me solta, meu amor
Adeus contra a vontade, sempre triste
Amor, meu bem querer, quando eu me for
Lembra de mim

Eu vou
E parto antes do Sol subir no céu
Mas dou
Antes de ir meu coração pra ti mais uma vez
E eu sinto o frio
Da madrugada e a solidão me consumir
E o vazio
Da estrada, esse abismo entre nós dois






Peito vazio, lacuna aberta
Corpo cansado, alma deserta
Pouso forçado e choro sem trégua
E um só volta a ser dois

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Hino da Partida

Esse moinho
Destruindo nosso ninho

Meio assim devagarinho
Foi você quem levantou
Passarinho
Sem Carinho
Se sentindo tão sozinho
Bateu asa e voou

E esse rio
Correndo como um fio
Nesse vale tão sombrio
Quase me afogou
Arredio,
Cão no cio
Sofrendo sem dar um pio
Uma hora se cansou

Juntando os meus trapos
Queimando nossos retratos
Essa história acaba aqui
Não deixei de ser metade,
Eu te amo, na verdade
Mas preciso partir

E agora
Eu vou embora
Já passou
A minha hora

E assim,
Eu vou enfim
Mas levarei
Você em mim

Por onde eu andar.