segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Lua em Escorpião

Gosto quando a gente se encontra
Mas também de quando a gente se despede
É bom saber que logo menos
Tem mais beijinhos e #descubra

Saudade é a prova de balas
Mas é coisa gostosa de se matar 
Com requintes de crueldade
E paixão por mutilações

Gosto quando você me abraça
Só pra esperar o sinal fechar
Quando você dá solavancos cochilando
E quando devaneia sem perceber

Beijinhos de açaí e beijinhos de Whisky
Cochilos vespertinos pra salvar o planeta
Se o mundo acabar em pizza
Eu quero duas fatias antes de partir

É gostoso viajar com você
Desbravando as tuas curvas
Descobrindo teus mistérios
Sem pressa (e sem vergonha)

Minha brutalidade e tua delicadeza
Às vezes duvido, às vezes tenho certeza
No fim das contas, só sei que nada sei
Depois de umas doses você é rainha e eu sou rei 

domingo, 6 de novembro de 2016

Éter

Natureza morta vive,
A vida é cheia de clichês
O que seria das respostas
Se não fossem os por quês?

Às vezes o melhor destino 
É remar sem pressa à deriva
O que seria da decepção
Se não fosse a expectativa?

Entre corpo, alma e mente
Futuro, passado e presente
O tempo é só um momento
E eu, um passageiro

Semblante calmo, alma inquieta
Nem só de poesia vive o poeta 



Meu cais
É o caos

sábado, 20 de agosto de 2016

Reflexo/Refluxo

Se você morresse hoje, 
As pessoas lembrariam de você por algo bom?
Você teria dito e feito tudo aquilo que sente que precisa?
Ou será que o que você acha que precisa 
Não é tão necessário assim?

Enquanto você está vivo,
O que você faz para que o mundo seja um lugar melhor?
Reclamar não melhora nada
Desculpas não consertam erros
Mas é errando que se aprende

Em quem você pensa antes de dormir?
Você às vezes sente vontade de fugir?
Onde você se vê daqui a cinco anos?
O que você faz pra por em prática seus planos?
Você está vivendo ou apenas está vivo?
Não importa muito, é tudo meio relativo 
Seu copo está meio cheio ou meio vazio?
Pra você algo morno já é melhor algo que frio? 
Porque você mesmo nunca segue o seu conselho?
O que você vê quando se olha no espelho?


O tempo tá passando...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Pó esia

Palavras ao vento
Esfarelam
Essa porcaria
É poesia

domingo, 7 de agosto de 2016

Apêndice

Minha cidade é uma das mais bonitas do mundo, mas é também uma das mais violentas. Resumindo, fui assaltado. Passado o susto e questões sociais à parte, fiquei sem celular. E nessas de não ter celular tem sobrado bem mais tempo pra pensar, pra ficar comigo mesmo e em vez de passar o tempo com a cara na telinha eu tenho observado muito mais o mundo e as pessoas ao redor. Olhando a vida cinicamente, cheguei a me surpreender constatando como somos tão dependentes dessa maquininha. Dormimos com o celular embaixo do travesseiro e acordamos com ele nos despertando. Levamos ele até pro banho! Celulares acabaram se tornando uma extensão do corpo do usuário. 

Tenho visto as pessoas feito loucas caçando pokemons pela rua, andando corcundas a ponto de tropeçar...no metrô, ouço barulhos de unha batendo nas teclas imaginárias das telas de LCD e pessoas perguntando "você viu o que eu postei no feisse?". Hoje em dia as frases de piada de internet viram moda e são repetidas até que uma nova moda surja e apague a anterior...é incrível a velocidade como as coisas se tornam obsoletas e são rapidamente substituidas por algo que será explorado e esgotado até ser trocado por algo novo em ciclo vicioso. É triste ver que as pessoas também fazem isso umas com as outras. 

Dia desses estava em mesa de bar e todos na mesa disseram que não gostam de atender o telefone e preferem falar por whatsapp. O contato entre as pessoas fica cada vez mais frio e distante, mais "prático". Ninguém se olha no olho, estão todos com a cara na tela do celular. Usa-se o celular pra mandar mensagem até pra quem está dentro da sua própria casa em outro cômodo. Com uma falsa idéia de aproximação e mobilidade, estamos ficando cada vez mais distantes uns dos outros.

Mundo de textões de facebook onde praticamente todos os textões são simplesmente para reclamar de alguma coisa ou de alguém. Postagens que destilam preconceito e intolerância e tudo se divide em direita e esquerda, onde o centro de tudo é cada usuário gritando ao mundo todo coisas pessoais sobre as quais ninguém se importa ou vê. Discussões inflamadas sem nenhuma argumentação, um ataca o outro, e todo mundo fala, mas parece que ninguém consegue (ou simplesmente não quer) ouvir o outro. 

Em vez de procurar semelhanças só se aponta diferenças e cada vez mais se segregam os tipos, as cores, as opções sexuais e tudo vira nicho, um contra o outro chingando muito na internet...mas qual texto de internet realmente mudou alguma coisa alguma vez? Gente  que posta foto de drogas e baladas como se fumar maconha fosse ser revolucionário.  No instagram não existe crise! Todo mundo é tão bonito, sarado e sensual e rico, tudo é tão perfeito...mas até que ponto o que se mostra é verdade? 

As pessoas mostram o que querem que você veja. As redes sociais são o buraco da fechadura, por onde só se vê um pequeno ponto de um grande quarto, onde muitas vezes as pessoas estão sozinhas e são infelizes. Ou estão apenas vazias, escrevendo qualquer besteira no celular. Somos a geração que quer mudar o mundo do sofá. Geração de astros de You Tube. Somos a geração que em vez de compartilhar idéias, compartilha fotos de si mesmo no espelho.


"Um milhão de seguidores sem ganhar nenhum salário
É tipo ser milionario no Banco Imobiliario"


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Poemas

Barquinho que o vento rema
Em mar de dilúvio e dilemas
Entre teorias e teoremas
Mundo grande de gente pequena
Infelizmente, poemas
Não resolvem problemas

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Asas

Eu sou rei, minha alma é nobre
Mas nesse mundo eu sou pobre
Neguinho de favela, plebeu
Ajeito o óculos e lá vou eu
Eu sou do mundo 
E o mundo é meu
Passageiro, passarinho
Tudo que tenho são minhas asas
E não preciso de mais nada
Deus me livre não ser livre! 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Passar Ela

Passei pela passarela
Linha reta paralela
Ponto de partida,
Ponto de chegada,
Interseção
Entre um extremo e outro


Passo ágil, sentinela
Cada olho uma janela
Carne e osso - uma cela
Criado de uma costela
Corpo de argila, alma solar
Barco à deriva no meio do mar
Vago, e ainda assim, inóspito
Na multidão, caminho incógnito


Peito cheio de vielas
Mais esconde que revela
Passei pela passarela
Linha reta paralela
Na metade, parei nela
Para olhar a Lua bela