sábado, 29 de agosto de 2009

Embaixo da carne, há a caveira, a verdadeira face, que não se importa com mesuras e que não precisa de metas concretas ou objetivos, garganta queimada e enegrecida e o que vier é melhor que nada.Tão alta quanto o terceiro andar e tão doce quanto ursos de pelúcia, não importa se aí dentro bate um coração, detalhes técnicos e precisos tem mais valor que palavras apressadas e enganos cheios de amor.Um pouco de dor de cabeça, e acordar sozinho não é tão mal assim, pior é não dormir.

Inevitável como as crianças arrancarem cascas dos joelhos quando machucados, tudo termina, e iniciar outra semana sentindo o que sinto agora só aumenta a expectativa da espera por uma nova dor, maior e mais forte.Amor é sexo, impulsos elétricos e químicos; os poetas merecem morrer por transformar algo tão opaco em objeto de culto.Dançar como se evitasse a queda e dizer mentiras ao pé do ouvido torna tudo muito mais excitante e engraçado, saudade termina assim como amor.E terminar sozinho mais uma vez não é nenhuma novidade, mas dessa vez, é mais agradável do que em todas as outras.A cada morte é um pouco mais doloroso, mas não deixa de ser mais divertido.


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"Just because I'm losing
Doesn't mean I'm lost
Doesn't mean I'll stop
Doesn't mean I'm across"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Não.

Estou me tornando mais que um homem.
Eu sou um verme também.
E eu não preciso saber o quanto você está feliz,
O quão é melhor agora do que era antes.
NÃO.

Não é tão ruim assim,tão tarde da noite,
E ainda tem programas na tv.
Por favor,nos deixe a sós.
Eu,mim e mim mesmo.
Só preciso de alguns bons amigos;
Alcólicos,nicotinados,e ilícitos.
Um nome para cada comprimido.
E a dose fica tão grande quanto uma família feliz.

NÃO.
Não é frio o bastante,não é bom o suficiente.
Que idiota,tentar entender o que não tem explicação.
Não é lindo quando cai e não quebra?
Eu sei bem como é.
Um sorriso.
Desesperado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009


Pelo menos por hoje um pouco de cor.Macarrão e Nescau como se fosse um banquete.Tão necessário quanto a fome, sentir isso (que não tem nome) serve pra mostrar que se vive, que se precisa viver.Atira nos pontos fracos com precisão cirurgica, sorri e acende outro cigarro, sente-se feliz por não fazer sentido algum, mas ainda assim, incompleto.Fracos os seres que nascem como metades, a demanda é tão grande quanto a procura, mas se quisesse maçãs podres, colheria no quintal de casa.Básicamente há dias que são piores que os outros dias.Hoje é um desses dias.Quanta (in)diferença.

sábado, 22 de agosto de 2009

Câncer não é tão mau assim.
Pior é morrer de velho.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A vida é baseada em oportnidades.Nas oportunidades que perdemos e nas oportunidades que tiramos proveito para de alguma forma nos edificar.Básicamente, se dá bem ou se dá mal. Até aí, nenhuma novidade, apenas fatos.Mas o que nos faz analisar e escolher dentre as opções disponíveis, ou muitas vezes, permanecer inerte, sem agir? Há quem acredite em destino, há quem acredite em pré-disposição genética e há os que afirmam serem arquitetos de seus próprios destinos (quando no máximo são escavadores das próprias covas).

Definitivamente, não somos livres, não há escolha de nascer ou morrer, estamos presos à matéria e à mercê do tempo.O que se constrói durante uma vida não pode ser apenas aprendizado, não pode ser um meio termo entre vida e morte, não faz sentido perder tempo quando na verdade tempo é tudo que falta.Viver ou sobreviver por si só já é suficientemente pungente, lutar contra a gravidade e o relógio não é nada inteligente, mas não há escolhas a não ser vida e morte.

No que diz respeito à evolução, somos grandiosos e realmente superiores, mas contabilizando os prós e contras, todo o progresso se resume simplesmente à tornar o tempo menos tedioso e a dor mais suave; apenas protelar.Tenta-se transceder a história, o tempo e a própria carne, mas de certo, se fosse descoberta uma forma de burlar as regras da natureza, tudo continuaria vazio e vago, sem começo e sem fim.

E se torna até difícil tentar concluir algo que não pode ser realmente concluído, algo que não tem o menor significado ou importância, como todo e qualquer fato ou ato.De qualquer forma, apenas perdeste alguns minutos de seu tempo lendo esse texto vazio e mal escrito, mas teria perdido seu tempo com qualquer outra coisa se não fosse essa.Tempo é algo que não se tem mas se perde.Sem parar.É assustador e ao mesmo tempo fabuloso ver tudo em volta ruir e o maior consolo de todos é poder ruir junto.

Talvez seja mais fácil apenas viver a vida, sem questões, sem dilemas, sem tentar entender o que se passa, o que o tempo prepara; o que técnicamente, já poupa bastante tempo.Mas quanto tempo?Pra quê?Tudo é relativo; a única excessão mais uma vez, é o tempo.Tempo demais pra tão pouco tempo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Frase do dia;

Quanto mais só, melhor.

E por aí, o que mais se encontra são pessoas com medo da solidão, medo da dor de não ter quem os defenda de si próprios, medo de si mesmo.Por serem tão monstruosos ou apenas por serem rasos e opacos, é sempre bem mais fácil fugir do que aflige, mas não há formas de fugir de si próprio, e como todo bom culpado, negam as consequências até o último minuto, anestesiar a dor se torna a única e melhor alternativa de quem não possui nada além de falsas memórias de falsas histórias.Talvez, antes mal acompanhado do que só.

Os mortos, morrem para serem esquecidos, os vivos, vivem para esquecer.Saudade passa, dor acaba.Pessoas são absolutamente substituíveis, e sabem disso, vêm e vão, e sempre, só sobra um.Você.A fila anda, e não pára nunca, vida é barata e está em todo lugar, as fontes secam e então vira-se as costas e procura-se um novo alvo.Relações de qualquer espécie são parasitárias, onde por mais que haja troca, a intenção é sempre trazer algo para si, sempre benefício próprio.O que não é de todo mal, pois quanto com mais carinho se cultiva algo, mais bonito cresce.Mas mais uma vez ,potencial direcionado para o lugar errado, sementes podres não florescem.Básicamente, não existe amor senão o próprio.

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"Lay this to rest, Console yourself,
You're better alone, Destroy yourself,
See who gives a fuck, Absorb yourself,
You're better alone, Destroy yourself."

domingo, 16 de agosto de 2009

Jardim de Cactus

Não há borboletas no meu jardim de Cactus
A grama é morta como o céu
Não há esperança para as sementes enterradas
Eu posso afogar todo o brilho nos meus olhos
Pois nenhuma luz passará por aqui

Porque eu ainda tento,
Se apenas insetos povoam meu jardim?
Vale o esforço, não estou só

Meu irmão nasceu morto
Plantei-o no jardim
Nunca vi árvore por aqui

Em silêncio permaneço
O silêncio dos culpados
Assim ninguém se lembrará de mim

O sol se esconde do meu jardim de Cactus
As nuvens brincam comigo
Espinhos como pétalas, toque e sangre
Eu cultivo a dor para tomar um banho de lágrimas
E furo meus olhos para alguma flor então surgir

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O tempo passa devagar, e cada vez mais me sinto velho, a sensação de longevidade e imortalidade seca e murcha, como as plantas que amarelam e morrem em silêncio.Meus pulmões não são mais os mesmos; experiência básicamente se ganha quando se fode.E me fode.Na cara.Com força.Uma das dúvidas mais perturbadoras é tentar advinhar se somos todos inexoravelmente auto-destrutivos pelo simples ato de respirar e biodegradar ou se o tempo é a maior grandeza existente, assumindo forma de uma deidade sem forma, criando, erodindo, destruindo matéria.Que não necessáriamente morre, apenas muda de forma.

De qualquer maneira, estamos presos ao tempo que nos faz chegar atrasados e que nos mata com o tempo, estamos presos à rotina que nos impede de provar coisas novas, presos às coisas novas que logo se tornam rotina e com o tempo deixam de ser novas, presos ao que temos e tememos perder, ao que não temos e desejamos, definitivamente, não somos livres.Perca tempo antes que o tempo acabe.Invariavelmente, irás se arrepender, o futuro serve apenas pra isso com relação ao presente e o passado.

Quando somos crianças esperamos com expectativa a adolescência,a liberdade, as novidades; quando somos adolescentes criamos identidades baseadas em experiências e básicamente, procuramos satisfazer desejos(pra quê mais vivemos se não desejar?),quando somos adultos, procuramos o máximo possível de compleição,de segurança,quando somos velhos,estamos tão desgastados que apenas servimos para receber visitas no natal e olhar pro passado com descontentamento.O tempo é cruel, mas de certo, se fossemos imortais, acabariamos todos por nos matarmos.Entediante demais isso de continuar preso à si próprio.