terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E se eu pudesse,eu andava a pé todos os dias e pra todos os lugares não importando a distância.Tenho dois pés tortos e a certeza de que meus tênis velhos aguentam quilômetros e quilômetros de chão,terra,asfalto ou lama.

Mas as pessoas têm relógios,logo,não têm tempo.Horários,compromissos e trânsito.E no ônibus,não há área pra fumantes.E no ônibus,é dificil dizer quem tem o perfume mais barato,quem me irrita mais.E eu deixo a questão;"Por que com tantos lugares vagos vem sempre um desgraçado sentar do meu lado?"Odeio contato físico com estranhos.Odeio sentir cheiro de gente.Gente suada,mal educada,gente que peida no ônibus.E eu sempre tenho a descomunal sorte de aparecer uma pessoa com glúteos tão grandes quanto um assento.Cansei de me espremer,cansei de sentir a pele suada e fedorenta de gente desconhecida,simplesmente cansei.

Hoje,eu cheguei ao ponto de chamar uma gorda senhora de "dirgraçada".Eu sempre me fodo.Olhares grandes e feios pelas minhas costas.Eu inevitávelmente sempre sou o monstro feio e mau.Voltei pra casa a pé,antes que fosse expulso do ônibus.Que tinha tantos lugares vagos,mas a moça que não tem culpa nenhuma veio pra perto de mim.Eu tenho sérios problemas em me relacionar com pessoas,e isso faz com que as pessoas instintivamente criem problemas pra se relacionar comigo também.Não sei se o problema sou eu ou se são os outros.

"impressionante como eu nunca faço nada,
a confusão que sempre vem atrás de mim
falo isso para o meu psiquiatra mas é claro,
ele não entende"

No tempo dos remédios eu pelo menos não me arriscava fora de casa...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ela não sorri.Ela não chora.Ela não tem coração.Também não gosta de dividir cigarros,mas sempre os pede para pessoas aleatórias.Coisa de quem morde a mão que afaga,de quem escarra na boca que beija.Ela não tem asas.Ela não tem nada.Ela finge que não se importa.Quando fizer 18,ela vai comprar uma arma.Quando fizer sol ela irá à praia.Quando o céu cair ela pára de cheirar pó.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A faca rasga.E eu choro.(MAIS).Ele sorri,a pele é fina e eu amarelo.Sangra.E ele sorri.O sangue escorre,nunca acaba,uma fonte interior,uma ponte inferior,um NADA.Ele sorri com dentes brancos,não se suja com meu sangue.Para dentro e para fora,a faca transa comigo.O sorriso não morre no rosto dele.Nenhum brilho em seus olhos,nenhuma visão em seu brilho.Queima.Devagar.Abre caminho por rios vermelhos como um desbravador.Com um sorriso de ferro,imortal.A faca brinca e ele não cansa,para dentro e para fora.Eu grito,ele gosta,eu choro,ele para para secar minhas lágrimas.Sim,ele tem sentimentos.Hojeeu descobri,a dor é vermelha.Dói tanto!Por quê ele não termina logo?!O sangue estanca,o chão tem minha cor interna.Agora eu faço parte do lugar.Dedo por dedo,pedaço por pedaço,ninguém nunca mais me dirá adeus.agora eu sou nós.Nós todos,vermelhos,sangrados,espalhados por todo o chão.Ele se senta ao meu lado.Pergunta se estou bem.Porque ele se importa comigo.Ele só queria conversar.Eu não devia ter corrido,Talvez tivesse sido mais fácil sorrir de volta e dizer olá.



(De um sonho.)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Cada um tem o que merece.



Tá explicado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Guarde meus holocaustos na gaveta do meio por favor.
Desisto de desistir.Podem sorrir,gritar tão alto quanto seus nobres pulmões aguentarem e carregarem suas armas.Estou de braços abertos e tenho apenas palavras e ódio como proteção.Eu também consigo cuspir e vomitar tão longe quanto vocês,queridos vermes.Seja bem vinda de volta,destruição.

Nesse filme não há intervalo,o ar entra,o ar sai,e os olhos inquietos sempre procuram dinheiro perdido pelo chão da rua.Eu quero tv a cabo.Então eu acabo.Mais de cem canais.E não tem porra nenhuma em nenhum deles.Criaria pombos se eles não tivessem asas,viveriam soltos na sala e assistiriam aos desenhos repetidos comigo.Fumantes passivos,não teriam fôlego pra fugir correndo,muito menos voando sem asas.

Eu também te quero bem,um comprimido pra indigestão e a certeza de que teria sido melhor enfiar os dedos goela adentro e vomitar um arco-íris.Tenho quase certeza de que me arrependo por ter sentido inveja do meu irmão,na lixeira do banheiro,em pedaços vermelhos,pequeno,abortado.Não precisa de espaço,eu aceito dormir no chão,deve haver algum lugar pra mim por aí.

Minha mãe me viu nascer,e eu devo ter chorado pra caralho,gritado bem alto.Meus pulmões rosados de bebê e minha gengiva à mostra.Quando eu era criança,devem ter sorrido ao me ver alguma vez.De cabeça baixa,eu chego ao fim da rua,talvez aqui seja o fim do mundo.E agora que não há mais pra onde ir,o que eu faço?

O último parágrafo não precisa ser o fim,eu não quero morrer,tampouco,quero continuar aqui,vi-ven-do.O ar entra,o ar sai,e eu ainda não respirei o suficiente pra correr até em casa sem cansar.Juro que se minha miopia aumentar mais arranco os olhos.Meu óculos novo não é bonito,tampouco,fico menos pior sem óculos.Uma boa hora pra raspar a cabeça.Mas não gosto de navalhas,não gosto de ninguém.

Seria ótimo achar na rua um carteira cheia de notas gordas e azuis,seria ótimo saber o dia e hora exatos da minha morte.Seria lindo dar uma festa,centenas de pombos,milho,vodka e meu último maço de cigarros.Eu prefiro ser cremado e virar adubo numa plantação qualquer,por favor.Eu troco minha lista de pessoas pra matar por uma lista de coisas pra comprar.Vamos voltar pra casa eu e meu eu-lírico.A pé.Pensando no primeiro item da lista de coisas pra comprar.Eu só preciso de dinheiro.Além de um pacote de biscoitos de chocolate,um dia desses eu queria fazer sentido também.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

E eu só sei porque você já sabe.As noticias não páram de ficar velhas.Cansei de assistir a tv desligada,é tudo preto e não se mexe.E os rumores se espalham tão rápido quanto SARS.Preciso ir embora dessa cidade,desse quarto,desse mundo.Lembra como nós fomos felizes?Eu não.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Solene como um enterro,o silêncio tem mais valor.E ele permanece calado com um sorriso cínico no rosto enquanto reinos ruem e torres despencam.Cada dia no futuro valerá menos a pena,cada dia no presente é tão inútil quanto ontem.

Tanto remorso por coisas que nem sente mais,ele dançava a sinfonia da tragédia com maestria e leveza.Um por um,todos indo embora,com nojo,com medo,com desprezo.Quem de nós é pior?Os monstros vivem no escuro apenas para não terem que ver seus rostos imundos.Covardes.Há os que usam mascaras apenas para não queimarem o rosto ao Sol.Há os que preferem fazer tudo errado por prazer,há também os que não conseguem chegar a nenhum denominador comum.

Devia ter sido um aborto.Algumas crianças nascem por engano.Algumas crianças morrem por escolha.Deve haver algum antidoto,algum remédio que o cure de si mesmo,algo mais interessante que quatro paredes em branco.Fantasmas gritando e demônios sorrindo;como se ele sentisse medo de assombrações...

Poderia ser sua última chance para se deitar de costas e olhar o céu.Poderia ser sua última chance de pedir desculpas.Os tolos perdoam,não ouse quebrar a ordem natural das coisas.Corte suas asas antes que arranquem-nas de você,cada minuto de agonia terá seu valor,como cada grão de areia tem seu valor dentro de uma ampulheta.

Outra noite perdida.Cigarros,vodka e um comprimido de Dramin.As mesmas conclusões,a mesma derrota e a mesma solidão de todas as alvoradas.Saúde só prolonga as sensações e sentimentos inuteis.Não são necessários mais dias nem mais laços.A não ser que fosse necessário construir uma forca e tecer uma corda.Pulmões negros,coração partido,entediado e com a familiar sensação de que ninguém irá à lugar algum.E de tudo que poderia ter sido,escolheu isto.