sexta-feira, 5 de abril de 2013

Narciso Nefasto

Eu bebo, eu fumo, eu minto
Eu transo sem camisinha
Eu vendi minha alma
Eu dei tudo que tinha

Eu sou errado por natureza
Com a certeza da incerteza
Eu sei que tudo isso um dia vai mudar
Eu sou metade de mim mesmo
Solto na cidade a esmo
Quanto mais respiro mais pareço sufocar

Sou quebrado por natureza
Natureza morta
Vou andando com frieza
Nessa estrada torta 

Suporto mais do que aguento
Eu desisto sempre que tento
Só me lembro daquilo que quero esquecer
Eu faço um brinde pra cada erro
Preparo meu próprio enterro
Menos de mim e bem mais de você

Eu tento, eu luto, eu falho
Eu não gosto de atalhos
E só falo de mim mesmo
Pois não há ninguém aqui

666

Seiscentos e sessenta e seis motivos para não te telefonar.






E ainda assim os dedos estão coçando. Vai entender...

quinta-feira, 21 de março de 2013

"Agora ela se foi
como todas se vão.

Desta vez o negócio acabou comigo.

É um longo caminho de volta,
mas de volta pra onde?

O cara que vai na minha frente acaba de
cair.

Passo por cima dele.

Será que ela também o acertou?"


Buk

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sobre uma noite que eu prefiro esquecer

De um caderno sujo; novembro/2012

Ela não quer me ver nem pintado de ouro. Pelo menos nisso está tudo certo, pois eu não valho um tostão. Na segunda taça de vinho (e eu detesto vinho) eu começo a divagar sobre todas as coisas que eu nunca vou saber e todas as coisas que você nunca vai saber também. E tentando tirar um coelho da cartola, eu sinto como se a magia tivesse acabado. Mas eu nunca fui bom nisso, e nunca vou conseguir aprender. 
E eu me lembro de semana passada, quando em algum lugar disseram que eu vou morrer sozinho e arrependido. Parece que tinham razão, eu estou morrendo. De amor. Estranho isso, e como se eu fosse metade de mim mesmo, eu sento no chão, pra não cair.
Na terceira taça, eu recuso o vidro e começo a beber do gargalo da garrafa de plastico, afinal, vinho barato, não pede cerimonia, assim como eu, que acendo mais um cigarro desejando tocar fogo na Cantina da Serra.
Dentre todas as coisas do mundo que eu poderia desejar, você é a única, desde que eu te conheci. Estranho como a gente muda quando ama alguém. Tomara que sejam só processos químicos e terminações nervosas da minha cabeça com defeito. 
E quando a garrafa já tem menos de metade eu já não penso mais com tanta clareza, mas ainda assim penso em você, e em como eu só não falhei em falhar. Como se você me desse o presente mais bonito que eu já ganhei e eu jogasse pela janela.
Dentre tudo que valeu a pena ou dos arrependimentos, só sobra cansaço e essa falta de você, que se tornou falta de mim mesmo. Sinto que estamos perto do fim. E ainda não sei dizer se isso é um alívio ou um tormento. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Bola da Vez

O carnaval termina e enfim o ano começa. E com o carnaval, o verão vai embora. Entre ressaca, preguiça e contas pra pagar, sobram possíveis doenças sexualmente transmissíveis, pedidos para segunda via de documentos perdidos e os hits de verão.
Patrocinados por grandes gravadoras, artistas pré-fabricados de um só sucesso nos são empurrados goela abaixo. A cada ano um novo zé ninguém é escolhido pra ser a bola da vez. Música grudenta, porca e sem conteúdo, quanto mais bestificante melhor. Algo que te torna tão sem opinião ou vontade própria, ao ponto em que whisky ou água de coco pra você tanto faz.
E ao longo do ano o pseudo artista faz centenas de shows e as gravadoras e produtoras de eventos enchem o rabo de dinheiro às suas custas. O cara aparece no Faustão, no Gugu, na Hebe e na puta que o pariu até que de alguma forma alcance você, que por mais que queira, não consegue fugir.
Enquanto gente que não tem nada a dizer tem espaço na mídia, os verdadeiros artistas passam fome e geralmente precisam de um segundo emprego para sustentar sua arte (ou escrevem em blógues toscos como esse, haha). Apesar de a internet ter mudado a forma e a facilidade com que a informação ou arte são compartilhados e acessados, as grandes companias, sejam de música ou de entretenimento sempre vão querer que você seja burro e compre seus produtos.
Ninguém mais lembra do Rebolation. Ninguém canta mais a música do delícia, assim você me mata. E ano que vem provavelmente as músicas idiotas que são entoadas hoje a plenos pulmões pela multidão também caiam no esquecimento, são todos descartáveis. 

Nesse mundo onde nada dura muito e onde amor hype rapidamente se transforma em término de namoro, seja menos idiota. Desde o lugar onde você come ou faz compras até o que você lê e escuta, não seja descartável também. Seja menos eles, e mais você mesmo. Ou então, continue dançando o Gangnam Style até que um novo artista sem arte seja empurrado a força nos seus ouvidos e no seu bolso.

domingo, 24 de junho de 2012

Crawl back in

Eu não estou aqui, e sinto como se não estivesse em lugar algum boa parte do tempo. A vida segue parada e sem muita previsão de movimento para qualquer lado, eu me sinto como um carro preso no engarrafamento paulista na hora de voltar pra casa. E após dirigir por horas e horas sem dormir o cansaço e a culpa de não chegar a lugar algum somadas à falta de combustível e comida dão vontade de dormir ali mesmo, no banco do motorista e só acordar quando o resgate chegar.

É aqui que eu sempre venho vomitar meus sentimentos, e ultimamente, eu não tenho sentido muito. Como se Madame Morte tivesse se tornado Madame Morta, as coisas e pensamentos se assemelham aos finais de tarde de domingo, mais cinza que nunca, e toda aquela urgência por cores e formas se transformou em contentamento e baixa capacidade pulmonar.

Tudo meio sem graça e sem vontade, sem rumo e sem pressa, talve seja isso que aconteça com quem não tem nenhuma batalha para lutar. A razão de não escrever mais é porque não há mais nada para ser escrito. Pelo menos por enquanto. Eu posso passar a noite inteira olhando essas páginas brancas e o único pensamento que me incomodará será não chegar atrasado no trabalho. Ao mesmo tempo que o tempo falta há tempo de sobra. Eu só preciso de um tempo. De um tempo de mim mesmo.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

O melhor que você pode fazer é fazer o melhor que puder...

Te darei tudo que tenho, eis aqui meu coração
Bola de carne em avançado estado de putrefação
Nao serve para nada, mas o que vale é a intenção

Moribundo que ama a vida, mas é peixe fora d'água
Adiciona mais um quilo em sua tonelada de mágoas

Eu deixo a porta aberta para que possas vir pra dentro
No entanto, tudo que aqui entra são fumaça e vento

Outra noite sem dormir e eu mato uma garafa de vinho em silêncio
Quem espera para sempre acaba morrendo de velho
E o tédio juvenil já se transforma em conformismo da velhice...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre Juaninhas e carrapatos


Te ver é sempre incerto e cheio de expectativas, como jogar na loteria. E como no Pequeno Príncipe, "se vens às quatro, desde as três eu já serei feliz." Dezenas de pensamentos e sentimentos estranhos e chatos que eu não consigo explicar, nessa hora um botão de pausa na minha cabeça faz toda a diferença, e sem o tal botão, eu chego perto de enlouquecer e querer me jogar na frente do primeiro carro que passar só para ter um descanso de tanto amorzinho.


Tudo errado, esse não sou eu. Chato demais perder o controle sobre o que se pensa e diz, você vira uma bomba relógio prestes a explodir um monte de paixonite, e fica se policiando o tempo inteiro com medo de sujar as paredes com coraçõezinhos e tripas. É aí que se toma conhecimento de que Madame Morte virou uma garotinha apaixonada.

Me segurar em pé com as pernas tremendo e tentando parecer natural é ao mesmo tempo um espetáculo deplorável e engraçado, fazer e falar tudo errado, faltar coragem, uma verdadeira comédia de erros, coisa de iniciante, risível. Fazer parte do seu entusiasmo ao contar as noticias boas e ruins completa e anima, e como se fosse a melhor atriz da compania de teatro, por onde passa hipnotiza e ganha fãs.

Ter que fingir que não sei de coisas que eu sei e ficar calado é tão frustrante quanto praia em dia de chuva, e às vezes, o maior egoísmo do mundo de te querer só pra mim, quando não machuca e incomoda, chega a soar sensato e absolutamente normal. Você anda pisando em ovos, assustando os outros com seu próprio medo e um passo em falso pode causar mais danos que queimadura de sol, um verdadeiro tiro de escopeta na cabeça.

No fim das contas, eu, tentando somar, só consigo subtrair e dividir tudo, que é nada, que é muito e pouco ao mesmo tempo e de diversas formas, e que talvez eu nunca consiga entender ou explicar. A juaninha é a mais bonita e mais brilhante que eu já vi no jardim, é agridoce e vicia como cigarros, a juaninha engana os predadores e os transforma em presa, a juaninha apareceu do nada e comeu meu coração. A juaninha vai dominar o mundo.