sábado, 21 de setembro de 2013

Nvblado - Angústia





"O que eu mais faço da minha vida praticamente todos os dias é construir castelos feitos de nuvens dentro de mim. São lindos, são plenos. Porém são frágeis. Frágeis como o que representam. Eu já cansei de olhar pra trás e não ver mais nada. Nada. E hoje eu me arrasto numa caminhada lenta e incerta."


É.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Meio de Transporte

No fio da navalha ou em cima do muro, no calor da batalha em um quarto escuro. Do outro lado da muralha ou no fundo do poço. Perdido entre o rabisco e o esboço. Já tripulou navio, voou de avião, caiu de bicicleta e andou de caminhão. Correu com as próprias pernas e tropeçou no chão, já andou de muletas e até em camburão. Tanto caminho de tanto jeito, e ainda assim sente que não chegou à lugar algum. Seu meio de transporte predileto ainda é a corda bamba.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Segunda-Feira

Dorme só um pouco e já está de pé
Sai de casa cedo e sem tomar café
Ônibus lotado, engarrafamento
Um dia nublado, descontentamento

Corre contra o tempo sem tempo para si
Conta pra pagar, vontade de fugir
Todo mundo junto se sentindo só
No peito um aperto, na garganta um nó

Tem que bater cartão
Pegar elevador,
Bom dia pro patrão,
Um bom trabalhador




O nó da garganta
O nó da gravata
Vão te enforcar.

domingo, 8 de setembro de 2013

Ninfo

Dentre todas as doses que cabem dentro da idéia e todas as luzes epiléticas piscando, nunca que ele esperaria encontrar um diabo tão bonzinho naquele inferno. Música alta (e ruim), festa estranha com gente esquisita, e no auge das pernas trocadas ele tropeça nela, entediada, sóbria, e rindo da cara dele, com um sorriso meio safado e de garotinha. 


- Desculpa, moça.

- Vem cá.
- Onde?
- Vem cá, porra!


Enquanto o leva pela mão andando na frente e dançando, seu coração de pão doce se derrete, até chegar em um banco na área de fumantes.



- Cê fuma?

- Não.
- Então o que?
- Então senta aí, que cê não tá legal!
- Ih, te falar que tá é mó legal!
- An?


Muito mais pra lá do que pra cá, ele procura o maço de cigarros, faz a cara de galã mais meia boca do mundo, acende um Marlboro e com a voz sexy mais não sexy que poderia ser, fala:



- Eu fumo.

- Azar o seu!


E num puxão de Capitão Gancho mais rápido que a velocidade da luz, um beijo lento e cheio de uma sensação diferente que o coração de pão doce não está acostumado a sentir.



- Eca, beijo de cigarro!

- Eca, beijo de jacaré!
- Jacaré?
- 30 mordidas!
- Foi ruim?
- Foi ótimo.


Sorriso tão inocente, uns olhão verde cheio de vontade, e o resto da noite é história. Acorda em Laranjeiras, tendo que sair de fininho correndo o risco de acordar gente que não se tem a menor idéia de quem é, e vai sozinho tomar um café na padaria rindo da própria cara, assim como ela fez. Sem entender as coisas e sem querer entender, ele conheceu uma pessoa de verdade com uma identidade falsa. Um cigarro de bom dia, e na cabeça, um pensamento: "Essa porra é crime!"  



Um dia o coração de pão doce termina por aí cheio de formigas.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Fases

A vida é cheia de fases. Uma fase pior que a outra...

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Leões

Eu vivo matando um leão por dia. De tédio...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pretinha

Ela é de Touro
Com ascendente em peixes
Ela é de ouro
Peço aos céus que não me deixe

Morena
Magrela
Pequena
Tão bela

Eu adoro sua voz
Nossos laços já são nós
Me agarra forte
E não solta nunca mais

Você fez eu me encontrar
Você fez eu me perder
Me encontro perdido
Sonhando com você

Também sou um aprendiz
Me ensina a amar
Eu te espero o quanto
Tiver que esperar
Por favor meu bem,
Espera a mim também

Eu carrego seu coração
Dentro do meu peito
Eu tropeço pelo salão
Bobo e sem jeito
Mas dança comigo
Vem me alegrar
Uma hora eu consigo
Te acompanhar

Morena
Pretinha
Pequena
Tão minha

Eu sou todo seu