quinta-feira, 13 de agosto de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Pedras
Palavras são pedras. Com pedras se constrói castelos. Ou simplesmente se amontoam, pedregulhos, inértes, estáticos inúteis. Há ainda as pedras que se atira. A pedrinha atirada na janela do quarto da amada para chamar sua atenção para uma serenata e a pedra que se atira na água só pra ver quantas vezes ela irá "quicar" entre a água e superficie, sem motivo algum, puramente por curiosidade ou tédio. A pedra que se atira para estilhaçar tetos de vidro como se não fossem nada e as pedras que atira nos condenados até a morte em certas culturas.
"Veio com 4 ou 5 pedras na mão."
...
E nem construiu merda nenhuma.
Monólitos de diferentes tamanhos, espessuras e densidades pra dar e vender, pra tomar e esconder. Com palavras se constrói e se destrói, ou simplesmente não se faz nada. Valem milhares ou coisa nenhuma, e como pedras, como quase tudo na vida, tem seus pesos e medidas. E parece que em algum ponto da humanidade, se tornaram algo tão banal como respirar. Respirar, que faz viver. Palavras, como entulho. De um prédio demolido, ou de algo em construção.
O que você quer dizer? Eu não quero dizer nada.
Quantas pedras você tem? Eu tenho meu silêncio.
Rocha tão grande quanto o everest.
Pedras são lanças e escudos, principalmente. Carne tão frágil, sempre evitando qualquer tipo de sangramento. Nem tanto assim, se sangrar em outro lugar. Tá doendo? Nem senti...
Ataques periféricos proferidos sem aviso e sem que se perceba nos derrubam ou derrubamos os outros. Nestas terras pantanosas onde se mata para não morrer, escondam seus cadáveres!
Para que não reste pedra sobre pedra
Eu não digo nada.
domingo, 9 de agosto de 2015
Passados (pra trás)
Era um rei e sua coroa era de bijouteria
Falsos brilhantes que perdem o charme
Assim que se chega mais perto
Era ensolarado, um dia azul e agradável
Daqueles que prometem muito mas não acontece nada
Outro dia no front
Eram borboletas no estômago
Ou um nó nas tripas?
Devaneio de lagarta em casulo
Tinha tudo pra dar certo
Mas não sai do lugar
Tentando não perder tempo
Perdeu todo o tempo que tinha
Agora já é tarde demais
Pra dizer que é tarde demais
Falsos brilhantes que perdem o charme
Assim que se chega mais perto
Era ensolarado, um dia azul e agradável
Daqueles que prometem muito mas não acontece nada
Outro dia no front
Eram borboletas no estômago
Ou um nó nas tripas?
Devaneio de lagarta em casulo
Tinha tudo pra dar certo
Mas não sai do lugar
Tentando não perder tempo
Perdeu todo o tempo que tinha
Agora já é tarde demais
Pra dizer que é tarde demais
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
(Des)Embalos de Sexta-Feira à Noite
Hoje, nesta sexta feira, sete de agosto de dois mil e quinze eu me senti sozinho como não me sentia faz tempo. De um jeito em que só me dói assim nas noites de natal, uma vez por ano. De um jeito que me murcha as bochechas como se eu não comesse há semanas e me seca a saliva da boca como se eu tivesse engolido um quilo de sal. Com uma gana tão grande de ver o mundo e ver gente, de sorrir e dançar, com uma sede que secaria algumas garrafas e queimaria alguns maços de cigarro. E ao mesmo tempo, a realidade.
Olhando contato por contato na agenda de telefone, que nem é lá essas coisas, não se encontra nada. Gente que mora longe, gente que tá namorando e sumiu, gente com quem eu nem falo mais e gente que nem fala mais comigo, casos do passado que terminaram mal e com quem nem se fala mais e sabe-se lá porque diabos todos esses números ainda não foram deletados (talvez pelo simples fato de não querer que minha agenda de contatos seja ainda menor). As opções são poucas, e hoje, só por hoje, eu não quero ficar sozinho, mesmo que a companhia nem seja legal. Hoje eu só queria falar e ouvir, conversar. Mas o silêncio é maior que qualquer música que eu colocar pra tocar, o silêncio é aqui dentro.
E mandar mensagem pra gente que nem responde ou telefonar pra contato que nem atende, pra outro que não pode sair hoje, pra gente que tem prova amanhã, pra outro que "tá passando muito mal", pra gente que atende e diz que tá com muita saudade e louca pra te ver mas não fala com você faz meses e tá meio ocupada e precisa desligar. Gente que te responde com a maior frieza meio como se sentisse até algum prazer em te rejeitar. Uns créditos e uns minutos jogados fora junto com alguma dignidade, se é que eu tenho ou já tive isso. No fim das contas parece que todo mundo já tem algo programado (mesmo que o programa seja não fazer nada) ou alguma desculpa na ponta da língua pra rejeitar qualquer convite. Meio como se todo mundo tivesse indo pra algum lugar ou já tivesse achado esse lugar, e eu continuo por aqui. Talvez esse seja o meu lugar.
Me sinto a última pessoa do Rio de Janeiro, aquele que não telefonariam nem em caso de emergência, nem que tivesse pintado de ouro. Nas ruas, todo mundo com suas roupas de sexta feira, saindo de casa, chamando seus taxis e marcando alguma coisa. E eu por aqui, voltando pra esse bloco cinza que quase nem aguento mais, mas também não consigo jogar fora. Olho pras paredes amareladas do meu quarto e me vejo nelas, embolorando. Talvez o mais engraçado disso seja que no fim das contas, lá no fundo eu só quero ficar sozinho mesmo. Nesse abraço sem braços, nesse sussurro sem voz, nesse friozinho quase gostoso, quase mais mãe que minha própria mãe. E como diria mamãe, toda essa vontade de cores, sabores e sons "é só fogo no rabo".
De certa forma, quem fez isso tudo fui eu. Essa distância, essa frieza e essa recusa, tudo obra minha, arquiteto de mãos grandes que um dia já apertaram muitas outras mãos, mãos grandes que já tatearam o mundo no escuro e já mataram e fizeram renascer. E no escuro ainda mais escuro hoje jaz, se é que é possível. Que dor dói menos? Qual vazio é menos vazio? Não importa muito, eu acho, dá pra preencher com fumaça. Hoje o mais longe que eu vou é ali na esquina comprar cigarro. "É sexta feira, amor".
quinta-feira, 16 de julho de 2015
(Des)Anuvio
Flutuando plena e livre, percorrendo o céu de lugar algum para parte nenhuma, segue a nuvem, sem rumo nem compromisso, sem esperar ou dever nada a ninguém. Soprada pelo vento, banhada pelo sol. Silêncio e solidão na imensidão atmosférica. Lá em cima parece bem melhor que aqui. E quando todo o peso corrompe a pureza do céu azul fazendo cinza, tempestade. Purificante, expulsando tudo que faz mal, literalmente, lavando a alma. Nuvem no céu que é um dragão. Ou um grande algodão doce, ou um bonito animal, ou coisa nenhuma. Nuvem que com o sabor do vento, rapidamente se reinventa e muda de forma, deixando para trás todas as lembranças, se tornando algo novo, que não se repete, autosuficiente. Mais leve que o ar, fazendo sombra em algum lugar aqui embaixo. Com poucos propósitos, cada nuvem sabe de si mesma, em um eterno processo de transformação. Faça chuva. Faça Sol. A nuvem é nublado incompreendido e indesejado, às vezes coletiva, às vezes independente, indefinidamente covarde ou intrépida. Que sempre muda mas continua igual. Que se deixa levar sem medo em meio ao desconhecido. Que se põe no caminho ou faz um caminho novo. Mais ou menos como cada um de nós. Antítese do céu de brigadeiro. Como a escuridão é para a luz. Como eu para você. Como você para si próprio. O tempo é nublado. Boas condições para um bom vôo.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Aleg(o)ria
Sem alegria
Segue o poeta
Sem alegoria
Em linha reta
Em rumo
Comum
Sem rumo
Nenhum
O caminho é a viagem
O sangue é a passagem
Sem ida nem volta
Sem velo ou escolta
Fumando desilusão
Engolindo a seco
O que não se diz
Em busca do gozo
Da vida e do sexo
Nublado e chuvoso
Sem paz e sem nexo
Deitar pra descansar
E nunca mais
Acordar
Segue o poeta
Sem alegoria
Em linha reta
Em rumo
Comum
Sem rumo
Nenhum
O caminho é a viagem
O sangue é a passagem
Sem ida nem volta
Sem velo ou escolta
Fumando desilusão
Engolindo a seco
O que não se diz
Em busca do gozo
Da vida e do sexo
Nublado e chuvoso
Sem paz e sem nexo
Deitar pra descansar
E nunca mais
Acordar
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Cartinha de Amor Aleatória
Sua voz enche o ar e me envolve como um cobertor, bem quentinho. Mesmo quando briga comigo, mesmo quando quando não diz nada. Teu olhar fala por você. Par de olhões jabuticaba que não me enganam nem quando tentam. Isso te frustra. A mim também. Vai ver um pouquinho de engano e ilusão às vezes faria bem. Vai ver a melhor coisa que a gente poderia fazer no mundo nesse instante fosse se enrolar juntinhos num pano pra assistir um filme açucarado. E dormir antes da metade do filme, haha.
Todos os altos, os baixos, os terrenos planos e os planos, os sonhos e as desilusões também, sendo trechos dessa viagem como pontos turísticos, alguns onde se passa mais tempo que outos, alguns nem tão bonitos assim. Viagem essa que não tem destino, a gente só vai, mas vai junto. Mesmo sem tar junto. Descobrindo cada curva dessa montanha russa, sempre dividindo o mesmo copo, porque é mais gostoso que beber separado.
- "Cadê o copo dele?"
- "O copo dele é o meu."
Entre beijinhos de chegada e de despedida, entre pontes aéreas e entre vidas passadas e futuras, a gente vai ao longo dos anos construindo a quatro mãos, tijolinho por tijolinho nosso castelo, que é todo torto mas bem quentinho e confortável. Como a minha asa pra você, como o teu colo pra mim. Vivendo de saudade e de amor, vivendo por ambos, que são gana de vida, de felicidade. Entre cenas (muitas cenas, rs) e atos a gente escreve nosso romance tragicômico dramático (pra caralho) meio que já sabendo (e desejando) que no último capítulo a gente ainda teja junto de cabelo bem branquinho e talvez até dando beijinho com a boca banguela. No fim das contas as opiniões alheias não tem crédito ou base quando o que é nosso é só nosso e de mais ninguém, só a gente sabe.
- "Ah, Dindi, se tu soubesse..."
No fim de todas as briguinhas a gente sempre relembra que o outro ainda tá presente pra um abraço. Na inconstância de humor das TPMs nunca falta um carinho. Nas choradeiras bêbadas nunca falta uma lambida pra secar as lágrimas, como dois gatinhos, nunca falta um abraço quente e conforto pra alma, nem nos "anos de solidão" mais solitários da vida inteira, rs. Nos cinzas mais negros e espinhosos nunca falta uma palavra amiga ou um esporro (BRAAABA!), quando necessário, pois amigos não são pra falar só aquilo que a gente quer ouvir. Nas maiores brabezas nunca falta uma implicância (e como a gente adora implicar com o outro!) que faça surgir uma gargalhada. Não importa qual o pesar, o apesar, que é esse amor sempre supera e cresce, "apesar de tudo"...
Todos esses anos de segredos e descobertas, a gente já se ensinou e aprendeu tanto juntos...nessa troca de professor e aluno, troca de fluidos corporais e de qualquer outra coisa possível de se compartilhar...nosso primeiro encontro da forma mais improvável possível virou paixão quase que de imediato...paixão por anos reprimida, negada, atropelada, difícil, linda. E hoje, quase uma década depois é essa coisa maior que a gente, maior que a estrada e qualquer coisa que se ponha no caminho. Esse amor desafiador, rebelde, as vezes inconsequente. Todos esses anos compartilhando tanta coisa da alma...vai ver ninguém me conhece tão bem quanto você e ninguém te conhece tão bem quanto eu.
- "Que privilégio!"
Sim, privilégio, meu bem. Nossa intimidade é a coisa mais gostosa do pacote...essa liberdade de estar a vontade o tempo inteiro, de se aceitar porque se ama, de se admirar, essa lealdade tão doida. Sem contar os charminhos e as provocações, os apelidinhos bobos (e hoje em dia nome de verdade é só pra hora das briga, rs ) e toda a manha e o dengo do mundo...é bom demais poder ser teu amigo, teu amante, companheiro.
Já faz tanto tempo, pretinha e de alguma forma parece que ainda é só o começo...a menininha e o muleque viraram mulher e homem, quase marido e mulher.
- "Tá quase casado e me chama de peguete?!?!"
(duas hora de brabeza e bico.)
Enfim, não sei muito bem onde quero chegar com isso nem quando lê...já falei pra caralho e nem falei coisa nenhuma no fim das contas. Acho que só queria mesmo falar de amor. Meu amor, que é teu. O resto, você já sabe todos os dias. O resto é segredo. O resto a gente encara, ou só fica de preguiça e nem levanta da cama.
- "Vamo tomar uma atitude pra vida e levantar no 3!"
- "Vamo tomar uma atitude pra vida e levantar no 3!"
- "Um...dois...três!"
(continuamos deitados, rs)
(continuamos deitados, rs)
Mil beijinhos,
Preto.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Contra
Sigo contra o vento
Contraventor
Por caminhos que levam
À lugar nenhum.
Passo torto.
Nado contra a maré
Remando a preamar
Por aguas que lavam
Mas não limpam.
Sem um porto.
Corro contra o tempo
Contratempo
Cada respiração
É um sopro de morte.
Reconforto.
Vivo contra a regra
Contraregra
De um cenário vazio
Onde sou figurante.
Aborto.
Contraventor
Por caminhos que levam
À lugar nenhum.
Passo torto.
Nado contra a maré
Remando a preamar
Por aguas que lavam
Mas não limpam.
Sem um porto.
Corro contra o tempo
Contratempo
Cada respiração
É um sopro de morte.
Reconforto.
Vivo contra a regra
Contraregra
De um cenário vazio
Onde sou figurante.
Aborto.
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