domingo, 22 de fevereiro de 2015

Corrida dos Ratos

"Imagine uma gaiola, onde o rato corre dentro dela, 
Ele corre até se cansar
E nunca chegará em lugar nenhum, 
São bichinhos correndo em direção ao abismo"

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ditado

De grão em grão a galinha enche o saco.

domingo, 5 de outubro de 2014

Vendo

Vendo minha alma ao diabo.
Ou a quem quiser comprar.






sexta-feira, 3 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Lembra de Mim

O Sol
São as velas que iluminam o teu quarto
E o lençol
Acobertando as dores desse parto que é partir
E eu sinto em mim
A dor de ter que ir embora e te deixar
Esse é o fim
E eu parto sem saber quando irei voltar

Enquanto o relógio nos permite
Me abraça e não me solta, meu amor
Adeus contra a vontade, sempre triste
Amor, meu bem querer, quando eu me for
Lembra de mim

Eu vou
E parto antes do Sol subir no céu
Mas dou
Antes de ir meu coração pra ti mais uma vez
E eu sinto o frio
Da madrugada e a solidão me consumir
E o vazio
Da estrada, esse abismo entre nós dois






Peito vazio, lacuna aberta
Corpo cansado, alma deserta
Pouso forçado e choro sem trégua
E um só volta a ser dois

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Hino da Partida

Esse moinho
Destruindo nosso ninho

Meio assim devagarinho
Foi você quem levantou
Passarinho
Sem Carinho
Se sentindo tão sozinho
Bateu asa e voou

E esse rio
Correndo como um fio
Nesse vale tão sombrio
Quase me afogou
Arredio,
Cão no cio
Sofrendo sem dar um pio
Uma hora se cansou

Juntando os meus trapos
Queimando nossos retratos
Essa história acaba aqui
Não deixei de ser metade,
Eu te amo, na verdade
Mas preciso partir

E agora
Eu vou embora
Já passou
A minha hora

E assim,
Eu vou enfim
Mas levarei
Você em mim

Por onde eu andar.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A morte da poesia

Café Gelado, sem açúcar, sem afeto, sem sabor, bom dia pra você. Um beijo apaixonado e um sorriso sincero. "Todo dia ela faz tudo sempre igual." Mas hoje não. Hoje você fica em casa e eu vou trabalhar sozinho. Apagando sonho por sonho, como cigarros no cinzeiro, queimei os dedos e nem senti dor. Uma dose antes de subir pro escritório e mais café sem açúcar (e sem afeto) para tirar o bafo de whisky. Alô, bom dia, posso ajudar, pois não. Os ponteiros no relógio dando um nó na parede, e são 11:13. Hoje não. As horas voando e todo mundo envelhecendo a cada segundo, a gravidade puxando tudo para baixo. Trânsito caótico, fome e um cigarro no fundo do ônibus de lanche da tarde. Passos meio indecisos indo pra casa por não ter outro lugar pra ir, e quando chego, corro para abraçá-la. Lá está ela, dormindo com um sorriso, sem roncar. Hoje não. Não parece respirar , e eu me aproximo para conferir. Um bilhete sobre seu seio, em branco, como os dias, como a alma. Entendi o recado. Está morta. A poesia está morta. Morreu dormindo, de causas naturais, sem sentir dor. Me deixou por tê-la deixado. Qualquer dia sinto saudades. Hoje não. Só consigo me preocupar em como faço pra enterrar corpo tão grande e pesado no quintal. Adeus, grande amiga. A gente se esbarra no além-vida.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Grilhão

As paredes me olham enquanto eu fumo e acendo um cigarro com outro. A janela quebrada é a única que fica por perto. O teto não desaba sobre a minha cabeça enquanto eu desejo ser uma aranha de ponta cabeça grudada lá em cima, tentando fugir do chão. O quarto abafado parece ficar cada vez menor, e as paredes que me olham cada vez mais de perto querem me esmagar. As cinzas da quarta feira de cinzas são brancas, não tem Sol no céu. Não tem eu aqui. Não quero ficar aqui e nem tenho pra onde ir. Tosse pesada, tosse de cachorro, segundo minha mãe. Cachorro quente, cachorro abandonado, cachorro que não morde, tanta fome que nem consigo almoçar. Tudo meio assim sei lá, eu só tou aqui da metade pra cima, sem perna pra correr por aí. De repente eu não tou mais aguentando nem o peso de uma pena. Tem um grilhão preso na minha alma.