terça-feira, 22 de setembro de 2009

Semi

Introdução à um semi-humano;

Somos cromossomos,
Belos seres tétricos,
Somos como somos,
Corações e artefatos bélicos
Só perdoa porque gosta de esquecer
Não sai da mesma página mas ainda tenta ler

Vício é uma palavra cruel, prefiro mania
Alguns não aguentam, preferem terapia

Mais um cigarro e café gelado
Coça um pouco, talvez seja alergia
Agora, seria ótimo ao seu lado
Felicidade é semelhante a epilepsia

Talvez não aguente o próximo cigarro
Garganta preta, um beijo e um escarro

Sorriso no rosto e um punhal nas costas,
Sente a sobriedade da compleição
Prefere as fraturas expostas
Pra não esquecer que ainda tem coração
Amor não morre enquanto não esfria
Enfia o dedo pra parar a hemorragia

Antes de ir embora tão seco quanto quando chegou

domingo, 20 de setembro de 2009

Fenecer talvez seja o sinônimo mais apropriado para transcender.O tempo e o espaço (re)agem sobre os seres e objetos de forma degenerativa, e os mesmos não transcendem ao tempo e ao espaço, e sim ambos aos seres e objetos.Seja mental ou fisicamente, em progressão, murchamos e erodimos, acabamos por ser nada além de matéria em mutação; no final, o topo da cadeia alimentar nada mais é que alimento para a base da pirâmide.

Escolher foco para o potencial e objetos específicos para preocupação ou tese, não faz a menor diferença, além de perda de tempo, é perda de energia.E outro ano chega perto do fim, e mais uma vez, a sensação e a constatação de que caminhando com as próprias pernas, não se chega a lugar algum, e começa-se a sentir o peso do tempo, das escolhas e dos excessos, seu corpo já não faz as mesmas coisas com a mesma eficiência e vigor, e principalmente, não foi feito nada.Nada além de reclamar e de esperar.Esperar por o quê?Boa pergunta.

Falta sentido, falta sentir.Torpe, em modo de espera, me sinto um mentiroso.Menti para mim mesmo e para os poucos que estavam ao redor, como se fosse regra, nada sobra, todos vão e os restos viram alicerces de torres tortas.Já ouvi por aí que o topo é solitário mas posso afirmar que o limbo é bem pior.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ouvindo Radiohead sem parar, choramingando por aí e comendo chocolate velho, como se eu fosse uma guria de 12 anos que terminou o namoro e chora as tristezas de estar só mais uma vez.É assim que eu fico se não tomar os remédios por 24 horas, e é tão ruim quanto amor, você precisa disso para estar completo, seja física ou emocionalmente; sem perceber, você passa a ser apenas uma metade.

Café gelado e cigarro, os dentes cada vez mais amarelos, o par de pulmões cada vez mais preto, o coração cada vez mais podre; e tudo junto forma quase um arco-íris, talvez haja alguém que goste.Se os mendigos não reclamam em comer pão mofado e dormir ao relento, por que eu reclamo tanto?Porque eu gosto.
 
E se ainda há os que vêm aqui ler textos ruins, deve haver por aí algo que torne as coisas um pouco melhores, algo maior que força de vontade, algo melhor que arrogância e bem mais bonito e menos cinza que aqui.Aqui, onde teóricamente eu que mando, onde não há democracia, onde é tudo apenas sobre mim.E é quase ótimo, falta só um pouquinho, eu tenho o mapa do seu coração, falta apenas um bom motivo pra me aventurar por terras tão monótonas.
 
"Demolição não se baseia em destruir, e sim salvar tudo que for possível." Tenta usar um conceito desses quando a estrutura está condenada...o que sobra é comida para insetos e abrigo para mendigos.Que pelo menos não reclamam em comer pão mofado...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Não tem nome mas tem endereço.Aqui dentro.Aí fora.Não muito longe e não muito belo, mas gracioso o suficiente para não assustar.Cheio de vazio, procura por qualquer coisa para preencher lacunas, perde o nível cada vez mais e mostra-se tão podre e sujo quanto alguém que preenche orifícios, mas encontra você.E talvez seja mais que o suficiente.É simplesmente uma questão sobre ser menos você e mais mim; é uma grande mentira que o tempo cura as feridas.Inventa e desinventa sentimentos apenas para passar o tempo, como se colocasse o coração no microondas sem saber quantos minutos deve deixar e acaba estragando o banquete.Talvez só fuja das soluções por gostar do conforto de não fazer absolutamente nada que não seja reclamar.Sabe que não vai à nenhum lugar, e nem se importa, pois sabe que em nenhum lugar é tão tedioso e frio quanto em lugar algum.Enquanto for doce, será diabético, e quando der por si, engasgar-se-á com as próprias amídalas - será tarde demais.O último a sair apaga a luz.E deixa tudo escuro mais uma vez.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pai Nosso que não se importa,
Maculado seja o vosso nome,
Venha a nós o vosso desprezo,
Seja (des)feita a vossa vontade,
Assim na terra como em lugar algum.
O pão nosso de cada dia nos nega.
Castigai as nossas ofensas,
Assim como nos vingamos
De quem nos tem ofendido,
Ave maria cheia de pústulas,
Maldita sois vós entre as meretrizes
Satã e Maria,mãe de deus
Rogai por teus filhos abortados
Agora e na hora de nossa morte
Não nos deixei cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal.
 
Em nome do pai,
Do filho
E do espírito Satan.

Amém.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Parafraseando a mim mesmo; antes da explosão, a inércia.Tudo calmo, calmo até demais.Como se todos os pseudo-inimigos resolvessem tirar férias juntos, como se toda a dor e toda a frescura se cansassem de mim, simplesmente todos os problemas vão embora, minha única preocupação tem sido tomar os remédios na hora certa.Aceitar as coisas como são torna tudo um pouco mais fácil, muda-se apenas o que incomada o suficiente para fazer mudar de lugar.Conformismo não é nada mal quando simplesmente não se quer gastar do seu enorme potencial e se desfazer de sua excedente arrogância, basta não esperar nada de ninguém, pois não têm nada a oferecer, sonhos são para quem tem medo da realidade.

Catarse vai embora e sobra o que restou, algo perto de um tetraplégico com asas, inérte porém livre.E como tudo que não machuca dura pouco, a única questão relevante no momento, é o momento no qual tudo caíra sobre meu telhado de novo.Como um condenado no corredor da morte, espero sentado e em confortável segurança pela hora da (des)verdade.Ok, eu sempre exagero.Mas algo grande vem por aí.E se não fuder com minha cabeça, vai fuder com meu coração.E eu mal posso esperar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Semáforo.

Engole o vômito e espera o sinal fechar.Tonto.Não lembra de onde veio e não tem pra onde ir.No bolso, moedas pequenas, um maço de cigarros semi-vazio e um esqueiro sem gás, no peito, culpa e fumaça.

Amarelo.Lembra-se de dois abortos e da ex-namorada, acende um cigarro e não sabe para qual lado seguir.Tempo demais, pessoas em volta e tenta-se afirmar qual está mais perdida.A úlcera arde e toma concentração e tempo, ferida interior, grande como um olho e pequena como um coração.

Vermelho.E todos andam, cada um para um lugar, cada um para lugar algum, cruzando caminhos e se perdendo e se separando para sempre.Um trago e a esperança de que a dor diminua.Não cessa, não morre.Olha o céu, cinza, infinito.Ninguém mais por perto.

Verde.Alguns passos à frente, e um barulho ensurdecedor.E a verdade vem suave como um murro na boca do estômago, toda a luz se apaga. Cai no chão e aguarda ajuda enquanto os carros desviam e buzinam,o mundo não deixa de girar.

Na faixa de pedestres, o mundo torna-se preto e branco, sangue pelo nariz e a certeza de que irá embora em um saco preto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não conte comigo, eu não conto com você.