Enquanto amanhece, volto andando devagar
Acendo um cigarro e continuo a divagar
Já encontrei meu porto, é só questão de vagar
Sou réu confesso, ninguém quer me advogar
Calado, sóbrio e cinza, subo a rua Humaitá
Como um sabiá que não sabe assobiar
Religiosamente, como se fosse sacro ofício
Cada linha feita de sangue e sacrifício
Entre uma estação e outra, alguém senta ao meu lado
Mas no fim das contas, viajo sempre só
Embarques, desembarques, cartões postais
Eu sou do mundo e o mundo é meu
Eu vejo a estrada ficar pra trás
Ou quem fica pra trás sou eu?
A gente se esbarra em qualquer estação
Ou não
segunda-feira, 10 de julho de 2017
terça-feira, 13 de junho de 2017
quinta-feira, 8 de junho de 2017
De um caderno velho: Férias
Eu ando tão cansado
Com o peito tão pesado
Meio empenado
Tudo fora do lugar
Nesses dias tão lotados
Mas tão vagos e parados
Meio amarelado
Já começo a murchar
Tanta correria
Para lugar nenhum
Almoçar correndo,
Ou ficar em jejum
Tanto desperdício
Eu alugo a minha juventude pro patrão
Eu trabalho para construir um sonho
Que não é meu
Já meio cansado de correr na contra mão
Eu me perco de mim mesmo e nem me oponho
Esse aí sou eu
Tanto desperdício
Carro buzinando,
Trânsito infernal
Fumaça sufocando,
Notícia de jornal
Todo mundo com pressa
Não consigo acompanhar
Eu preciso de férias,
Se não vou sufocar
Eu preciso de uns dias
De tanta correria
Eu preciso de férias
Férias de mim mesmo
Com o peito tão pesado
Meio empenado
Tudo fora do lugar
Nesses dias tão lotados
Mas tão vagos e parados
Meio amarelado
Já começo a murchar
Tanta correria
Para lugar nenhum
Almoçar correndo,
Ou ficar em jejum
Tanto desperdício
Eu alugo a minha juventude pro patrão
Eu trabalho para construir um sonho
Que não é meu
Já meio cansado de correr na contra mão
Eu me perco de mim mesmo e nem me oponho
Esse aí sou eu
Tanto desperdício
Carro buzinando,
Trânsito infernal
Fumaça sufocando,
Notícia de jornal
Todo mundo com pressa
Não consigo acompanhar
Eu preciso de férias,
Se não vou sufocar
Eu preciso de uns dias
De tanta correria
Eu preciso de férias
Férias de mim mesmo
domingo, 4 de junho de 2017
Epifania de Alice
Por algum tempo conversei com ela através de uma redoma. Por algum tempo, falei sem ser ouvido mas sei que ela me sentia e eu a sentia também. Por vezes, imaginei como seria a primeira vez que nos encontrássemos. E depois de meses de espera, eis que é chegada a hora, assim quase de surpresa. Na primeira vez ela nem me viu. Lembro de ter sentido tanta coisa ao mesmo tempo e não ter entendido metade. A emoção de segurá-la nos braços, uma mistura de felicidade instantânea e medo, o cheirinho, o toque. Contrastes tão gritantes onde a vida é tão presente e recebida com felicidade e descontentamento ao mesmo tempo.
A meia luz do fim de tarde invadindo o lugar quase que tímida, o olhar mais despreocupado que já vi na vida percorrendo o quarto...e quase que imediatamente, ela dormindo no meu colo. A mãozinha tão pequena segurando meu dedo, o cheirinho de recém nascido, cheiro de pureza. Ela respirando com tanta calma que quase nem se percebe, tão quentinha, vez ou outra mexendo os dedinhos enquanto dormia. Como pode tanta paz caber em um serzinho de 46 centímetros? Energia forte que emana, encostei na poltrona e cochilei com ela no colo.
Voltei pra casa com a cabeça cheia. Me fez pensar nos filhos sem pais e nas mães guerreiras. Crescer sem alguém tão importante na formação de uma criança, nos possíveis traumas e ressentimentos de alguém que mal aparece ou possivelmente nunca se verá. Me fez pensar na batalha diária de uma mãe que tem que ter força em dobro sendo pai e mãe educando e criando um serzinho. Mundo injusto onde a gente é largado sem pedir e tem que se virar pra se tornar forte e sobreviver.
Sobretudo, voltei pensando na vida e em sua efemeridade, no caminho que a gente começa a trilhar antes mesmo de aprender a andar e percorre por ele muitas vezes sem nem se dar conta. E mesmo quando a gente se torna um ser humano com senso crítico e personalidade desenvolvidos a gente continua trilhando esse caminho, mantendo as mesmas manias, cometendo os mesmos erros, procrastinando e fugindo dos nossos próprios medos.
E quando já andamos com as próprias pernas, continuamos o percurso. As mães nos criam para sermos felizes e nem se dão conta que no meio desse processo acabam nos traumatizando de inúmeras formas. E a gente mesmo acaba se tornando alguém com medo de se machucar. E conforme o tempo avança a gente vai deixando que as sombras do passado interfiram no nosso presente, no nosso futuro. Já parou pra pensar quantas oportunidades de ser feliz de verdade você perdeu por medo? Eu perdi algumas.
Voltei andando e olhando pro céu sem estrela. Pensando na bebê, que um dia vai ser vovó, pensando que daqui a pouco tempo ela já vai estar falando e que quando eu for um tio velho bem chato vou viver dizendo que a peguei no colo e ela está enorme.
Voltei pensando nos erros, nos acertos, voltei pensando que a vida é maravilhosa e ao mesmo tempo é injusta, difícil...só se vive uma vez e pra tanta coisa não existe segunda chance. Mas como a gente vai saber? Como ela vai saber? Voltei mais que tudo desejando muita saúde e muito carinho. Que essa jornada que acabou de começar seja cheia de conhecimento e você continue emanando aquela energia tão gostosa que coloriu meu dia. Aqui não é o país das maravilhas, mas a vida é maravilhosa. Bem vinda ao mundo, Alice!
Voltei pensando nos erros, nos acertos, voltei pensando que a vida é maravilhosa e ao mesmo tempo é injusta, difícil...só se vive uma vez e pra tanta coisa não existe segunda chance. Mas como a gente vai saber? Como ela vai saber? Voltei mais que tudo desejando muita saúde e muito carinho. Que essa jornada que acabou de começar seja cheia de conhecimento e você continue emanando aquela energia tão gostosa que coloriu meu dia. Aqui não é o país das maravilhas, mas a vida é maravilhosa. Bem vinda ao mundo, Alice!
sábado, 13 de maio de 2017
quarta-feira, 15 de março de 2017
Amparo
Já faz um tempo eu não conto com a sorte
Saber apanhar é a essência de ser forte
Na colcha de retalhos eu sou só mais um recorte
Estou esbanjando vida, sorrindo pra morte
Já faz um tempo eu não conto com ninguém
Saber ser só é a a essência de estar bem
Entre um velório e outro eu permaneço zen
Aquilo que vai deixa espaço pro que vem
Como se a vida fosse um resumo do que acontece
Entre o primeiro e o último batimento cardíaco
Tempo onde as coisas começam e terminam
E a gente só se dá conta quando é tarde demais
Já tive histórias com desfechos desleais,
Noites inesquecíveis que eu já nem lembro mais
Entre dias de Sol, tempestades e vendavais,
Fins são novos começos ou a vida é feita de finais?
A arte imita a vida ou será que a vida imita a arte?
Filho do deus da guerra, Áries, eu vim de Marte
A gente se perde para se encontrar,
Ou acha que se encontra pra reafirmar que está perdido?
Assim vivemos
Até que a morte nos separe
Até que a morte nos repare
Até que a morte não separe
Até que a morte nos ampare
Saber apanhar é a essência de ser forte
Na colcha de retalhos eu sou só mais um recorte
Estou esbanjando vida, sorrindo pra morte
Já faz um tempo eu não conto com ninguém
Saber ser só é a a essência de estar bem
Entre um velório e outro eu permaneço zen
Aquilo que vai deixa espaço pro que vem
Como se a vida fosse um resumo do que acontece
Entre o primeiro e o último batimento cardíaco
Tempo onde as coisas começam e terminam
E a gente só se dá conta quando é tarde demais
Já tive histórias com desfechos desleais,
Noites inesquecíveis que eu já nem lembro mais
Entre dias de Sol, tempestades e vendavais,
Fins são novos começos ou a vida é feita de finais?
A arte imita a vida ou será que a vida imita a arte?
Filho do deus da guerra, Áries, eu vim de Marte
A gente se perde para se encontrar,
Ou acha que se encontra pra reafirmar que está perdido?
Assim vivemos
Até que a morte nos separe
Até que a morte nos repare
Até que a morte não separe
Até que a morte nos ampare
domingo, 12 de março de 2017
Inferno Astral Pt. II - Redenção
Acho que não sei mais falar de amor. Vai ver meu conceito de amor tenha se transformado em algo muito maior. Talvez tenha desaparecido. Também não quero mais falar de ódio. Porque a razão e a organização podem derrubar qualquer rei. Hoje, prefiro falar das coisas e do mundo. Sentado em um canto, assumi meu posto de observador, como um móvel no canto da sala que acaba se tornando parte do ambiente, silencioso, seguindo pela sombra.
Vejo a banda passar e também sou passageiro. Nômade sem lar, minha mochila é minha casa. Apesar de tantas diferenças, no fim das contas somos todos semelhantes. Pequenininhos perante o tempo, o universo; "nada se perde, tudo se aproveita". Arquiteto de castelos de areia, aprendi a transformar trincheiras em jardins, a encontrar meu lugar em qualquer lugar. Descobri que dormir no chão é melhor que dormir na cama. E que o céu estrelado é um bom cobertor.
Não faço a mínima questão de ser visto. Muito menos de estar com a razão. Só sei que não sei quase nada. E o pouco que sei fica em segredo. Enquanto os certos de tudo lutam pela verdade absoluta, descobri que é preciso quase nada para estar em paz. Aqui no canto é frio. Mas sempre fui um preto calorento. Aqui no canto, descobri que o mundo inteiro é só um canto, então, qualquer canto é minha casa. Aqui no canto pouca coisa perturba o silêncio.
Formas de vida com a composição baseada em carbono, cada respiração traz um pouco de morte para dentro. Mas é com gosto que eu inspiro, respiro e me inspiro. Ao mesmo tempo que o relógio é meu melhor amigo também assume o papel de meu pior inimigo. Se existe alguma entidade superior que possa ser denominada deus, talvez estas entidades sejam a natureza e o tempo.
Regido pela Lua, sigo entre idas, vindas, erros, acertos e poucas horas de sono, nunca me senti tão grande sabendo que sou tão pequenininho. O mundo é injusto e cruel e ao mesmo tempo lindo, como todos nós. Um brinde ao nada. Pois do nada, tudo se cria.
domingo, 5 de março de 2017
Fotografia
Fragmento de tempo congelado para sempre, imóvel, meio que tetraplégico. Nada ali vai a lugar algum, é imutável. Porém, finito. Registro fiel de tudo que poderia ser. De tudo que já foi. Contrastes de tudo que parecia ser. O futuro a gente constrói agora. O passado também. Um sorriso verdadeiro ou um sorriso forçado, uma pose ou um clique surpresa, memórias aprisionadas em imagens para satisfazer a nostalgia. Fotografias talvez sejam o que reside entre as idas e vindas. Preenchendo ou aumentando lacunas. Deixando registrados todos os erros e acertos do homem e sua megalomania, os castelos e as ruínas construídos a partir de sentimentos e ideais. Fotografias podem encher os olhos. Esvaziar, também. No fim das contas são só imagens. No fim das contas, as melhores fotografias ainda são (e sempre serão) as que se tira com os próprios olhos.
Vi um outro eu preso em uma fotografia
Imóvel e sorrindo, como se fosse magia
Matiz do tudo e o nada que já fui um dia
Um gole de saudade,um trago de nostalgia
Início, meio e fim de uma triologia
Assinar:
Comentários (Atom)

