segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Beijo Técnico

O mesmo lugar em um lugar diferente, já estive por aqui em outro lugar. Cabeça confusa, tudo meio sem sentido. Sensação de déjà-vu e a brisa me abandonando rápido. Choque de realidade com tédio, não tem graça, mas como diria Cartola, "rir pra não chorar." Ou só porque estou achando engraçado mesmo. E parafraseando Cartola novamente, "deixe-me ir" que já passou da minha hora. 

Desengonçado, tento tirar sua cabeça do meu peito e levantar sem te acordar. Sorrateiramente barulhento, vou tateando no escuro enquanto ouço o som da tua respiração pesada procurando tudo que for meu e eu puder resgatar. Dessa vez um pé de meia fica pra trás. Souvenir pra você lembrar de mim com arrependimento. Pra fazer valer aquela máxima de que a gente deixa um pedaço de si por onde passa. Pra depois você ter mais um motivo pra encher a boca quando for falar que homem não presta. Mas afinal, quem é que presta? 

Dilema de consciência por saber que você é de verdade. Mas eu supero, hoje sou de mentira. E de mentiras eu sei que você já tá farta. Com aqueles olhares a gente encurtou um bocado de conversa. Com esse pinote a gente encurta mais conversa ainda. Foi bonito, mas foram beijos técnicos, faz parte do espetáculo. Sem agradecer a audiência, o ator deixa o palco apressado esperando que a padaria da esquina já esteja aberta pensando somente em comer quatrocentos e oitenta e sete bilhões de pães de queijo e um baita copão de coca-cola bem gelada (mas sem gelo). 

Não dizem que de boas intenções o inferno está cheio? Às vezes é sem querer, erros honestos acontecem. Há males que vem para o bem e nisso eu sei que sou bom, o melhor dos males que pode te acontecer. Talvez seja essa a minha missão na Terra. Não é nem que eu tenha que partir. Eu só não quero ficar.  

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Dos males que vem para o bem

Eu sou aquele que você não vai esquecer. 

Prazer, eu sou o lucas =)


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Cinza



Não sei dizer ao certo se a jornada começa ou termina por aqui, mas este é definitivamente um marco para mim. Após um longo período de trabalho, reclusão, obstáculos e superações, meu filho finalmente nasce e enxerga luz do dia. 
Coleção de canções e fragmentos de memórias, momentos, sonhos e pesadelos, Cinza é um castelo de areia construído com sangue, suor, lágrimas e muito amor. Em cada acorde e cada verso tem um pouco do meu coração. Além da dedicação (e megalomania) de gravar, produzir e tocar todos os instrumentos, foi preciso coragem para revelar muito do que meu silêncio oculta neste trabalho. Cinza é uma óde à solidão, minha maior e mais fiel companheira. 

A vida é maravilhosa, cheia de cores, sabores e nuances, mas eu vivo em p&b. Minha aura é Cinza. 


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Me  manda um alô! Vamos conversar que (quase) tudo se resolve no diálogo, rs. 

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domingo, 1 de outubro de 2017

Sobrevivente

Tem até uma merreca no meu bolso mas eis me aqui roubando doce na Loja Americana. Entrando no metrô de volta pro futuro, o abismo é o vão entre o trem e a plataforma. Todo mundo junto se sentindo sozinho e eu, expectador e antagonista do meu próprio filme de terror brasileiro.

Só pega um lado do fone e Os Afrosambas já tá terminando e já tá quase na minha estação. "Ela não sabe quanta tristeza cabe numa solidão"...

Tava com saudade da Tijuca. E a rua tá cheia de uma energia que eu não consigo explicar. Parece que tem uma galera andando comigo e eles estão morrendo de sede e volúpia. Engenheiro de castelos de areia, a planta já está feita e daqui pra lá é só morro abaixo. Do jeito que eu gosto. 

Meu pulmão já tá meio baleado mas meu pique ainda é tipo Ronaldinho. Me esquivando dos tiros igual o cara do Matrix, cada dia a mais é um dia a menos. Me deitaram de porrada e amanheci de ressaca. Comeram meu coração e eu continuo por aí, ainda tem um monte de merda pra fazer. A coluna tá toda chumbada, mas eu ainda estou de pé. Me juraram de morte e me mataram de rir. No fim das contas, eu sou sobrevivente, na selva de pedra é preciso ser cara de pau. 

De mesa de bar em mesa de bar vamos eu e meus encostos bebendo pra caralho, meu copo de whisky é o Santo Graal. Só se vive uma vez, e todo dia eu morro um pouco. Por aqui todo dia é quarta feira de cinzas mas o bloco continua na rua. Minha carne é de carnaval. E meu coração...




domingo, 17 de setembro de 2017

Aquário

Pode ser que tenha acontecido em um segundo, pode ser que tenha sido uma hora...quando me dei conta, parecia uma eternidade, e eu continuava estático, observando a dança sem ritmo, indo e vindo de lugar algum para parte nenhuma. Um aquário ornado com plantas coloridas, pedrinhas de todas as cores, um bonequinho de mergulhador fazendo bolhas, as plantas de plástico balançando com a água e o peixinho azul nadando sozinho de um lado para outro como se não houvesse amanhã, balançando sua cauda como se fosse de tecido ao sabor da maré artificial com paredes de acrílico, de não mais que 30x20cm...

Indo e vindo, de um lado para o outro, em círculos, sem nunca partir ou chegar. Me aproximei sem me dar conta e ele parou de se mexer, ali estático, olhando pra mim com seus olhos de peixe azul, provavelmente com medo e tristeza, ou vai ver os peixes não pensam. Já li por aí que a memória dos peixes dura cerca de 30 segundos. Por alguns segundos pensei que isso até poderia ser bom, já que a cada 30 segundos ele se esqueceria estar aprisionado. E logo em seguida percebi que a cada 30 segundos ele relembraria estar preso de todas as formas possíveis, em uma solitária cheia de enfeites artificiais. 

Fui pra janela e olhei o céu pensando em peixes voadores e pássaros que mergulham. Pensando que não somos muito diferentes do peixinho azul. Vivendo cada um em sua própria prisão cheia de enfeites coloridos, andando em círculos e fazendo refeições regularmente...até que volta e meia a gente se dá conta da própria situação e se vê imóvel e sem saída, como o peixinho azul. Logo em seguida a gente se distrai e momentaneamente se esquece, para logo após se lembrar de tudo novamente. Sempre nadando no nosso próprio mar, enfrentando nossas próprias marés, e talvez no fim das contas nada disso faça sentido. 

Percebi que corria um leve risco de estar viajando na maionese e voltei pro meu próprio aquário, fui buscar uma cerveja na geladeira e conversar com as pessoas na sala. Memória de peixe é uma loucura mesmo...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Kriptonita

Liguei um Marlboro esperando o sinal fechar
Me peguei pensando em Pernocas
Quis um açaí com morango
E uma rede pra balançar

Borboletas no estômago no Largo da Carioca
Depois do Carnaval, o que resta são cinzas
Todo verão sempre termina em outono
Nos achados e perdidos nada tem dono
Toda mesa de bar é uma casa, um templo
Agora é tarde, mas talvez ainda haja tempo

A solidão nunca anda só
Ela sempre tem alguém
Kriptonita o caralho,
O Super Homem morreu de tristeza

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O sabiá que sabia demais

Enquanto amanhece, volto andando devagar
Acendo um cigarro e continuo a divagar
Já encontrei meu porto, é só questão de vagar
Sou réu confesso, ninguém quer me advogar
Calado, sóbrio e cinza, subo a rua Humaitá
Como um sabiá que não sabe assobiar

Religiosamente, como se fosse sacro ofício
Cada linha feita de sangue e sacrifício
Entre uma estação e outra, alguém senta ao meu lado
Mas no fim das contas, viajo sempre 

Embarques, desembarques, cartões postais
Eu sou do mundo e o mundo é meu
Eu vejo a estrada ficar pra trás
Ou quem fica pra trás sou eu?

A gente se esbarra em qualquer estação
Ou não

terça-feira, 13 de junho de 2017