quarta-feira, 13 de abril de 2016

Coisas

Coisas que eu pergunto mas nem quero saber a resposta.
Coisas sobre as quais eu minto e coisas que finjo que acredito.
Coisa que eu não acredito nem vendo e coisa que nem acredito que estou vendo.
Coisas que passei por cima e coisas que passaram por cima de mim.
Coisas que eu desisti de resolver na conversa e coisas sobre as quais eu quero conversar.
Coisas e pessoas que eu gosto de testar e coisas e pessoas que gostam de me testar.
Coisas das quais eu me orgulho e coisas das quais eu me arrependo.
Coisas que eu me esqueço e coisas que eu não quero nem lembrar.
Coisas das quais eu desisti - coisas que deixei para trás.
Coisas que construí e derrubei para reconstruir.
Coisas que adoro e coisas que detesto.
Coisas que serão para sempre a mesma coisa.
Coisas que nunca mais serão a mesma coisa.




Deus sabe o que faz. O Diabo também. 
São apenas coisas. 







segunda-feira, 11 de abril de 2016

Inferno Astral - Purgatório

Hoje eu não sei dizer se o copo está meio cheio ou meio vazio, é só um copo. Não consigo dizer se estou feliz ou triste, rebordosa de tudo com um monte de coisa, essa porra ainda vai me matar. Vinte banhos não seriam o suficiente pra fazer eu me sentir mais limpo ou mais calmo, só de lembrar já dá vontade de arrancar minha mão a mordidas. Toda essa sede de destruição, esse impulso de me chocar contra qualquer coisa só pra admirar o acidente, o cérebro parecendo uma uva passa, a dor de cabeça, o corpo pesado, metade da noite é só um borrão na memória, "se eu não lembro eu não fiz". Mas eu lembro da pior parte. 

Aguardando friamente o impacto iminente como mosca que cai na teia da aranha e não consegue voar. São e salvo feito gato escondido com o rabo de fora. Entediado igual criança de castigo porque fez bobeira. Braço no lugar de perna, pulmão no lixo, cabeça no pé esquerdo, coração no pé direito, hoje tá tudo fora do lugar. Fazia um tempo que eu não visitava o fundo do bueiro e é incrível a sensação de "lar-doce-lar".  A vontade de sair correndo (mas pra onde?) quase me faz parar de funcionar.

A alma derrete como os relógios de Salvador Dali. O tempo escorre entre os dedos. E o pior é que eu ando meio sem tempo pra ficar perdendo tempo. Mas se fosse de outro jeito não seria eu. Cansei do purgatório, já paguei todos os meus pecados. Mais alguns dias e eu termino de cumprir minha pena e viro anjo no céu. Mas por enquanto eu permaneço como uma rocha, elegante como Zé Pilintra fumando um cigarro na esquina, intrépido como Zumbi, sem medo da morte como Tiradentes.  

Toquei fogo em tudo e não sobrou muita coisa, as pontes foram queimadas, não tem volta. Hoje à noite não tem estrela nem lua nesse céu nublado. Não tem pódio nem troféu, não tem festa nem saideira, hoje só tem eu comigo mesmo. E hoje eu tô vestindo até carapuça pra me esquentar do frio que tá fazendo por aqui. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Caleidoscópio Sintético

Esqueceu a calcinha no banheiro da boate
Pediu caipirinha e eu pedi um conhaque
A conta e um cigarro pra desanuviar
Muita sacanagem pra pouco elevador
Tchauzinho pra câmera, despudor
Essa doida mora no sétimo andar

Abre a porta e já vai se despindo 
Pega um cigarro e me pergunta rindo
Se eu tenho fogo
Mais louca que a Janis em Woodstock
Me despe com pressa e coloca um rock
Segundo round do jogo

Enquanto ela dança feito louca e sacode a poeira
Eu percebo, até mesmo a eternindade é passageira
Mas em mim se eterniza
Num beijo assassino, na minha lingua deixa uma bala
Tem quem se faça presente mesmo sem estar na sala
Mas não corta minha brisa

Hoje ela é minha, hoje eu sou dela
Eu um vira-latas e ela uma cadela
A noite virando dia clareia a janela
Um sorrisinho com cara de sequela
Nas vidas infindas, meu mal é meu bem
Nas idas e vindas, ela vem, ela vai, ela vem...

Mais rápido, mais forte, um tapa, um carinho
"Tá muito alto, vai acordar o vizinho!"
O mundo acelera, eu aumento a marcha, taquicardia
É bom mas é ruim, é prazer com agonia
Por um segundo, parece que vou desmaiar
A garganta trava e eu não consigo nem falar

No fim a gente esqueceu até de se apresentar
As paredes do quarto dela começam a derreter 
Quando termina eu só quero me vestir e correr 
Um monte de veneno pra acusar no exame de sangue
Tudo que vai volta, o Karma é um bumerangue
Pra onde eu vou agora com tanta onda pra gastar?

O amor e suas variáveis - lisérgicas
Sujeiras ao pé do ouvido - poéticas
Entrega e substâncias -  sintéticas
Liberdade + vazio = pura estética