sábado, 31 de dezembro de 2011

Pra você, que não vai ler

Eu sou o provedor
Doador, dôo a dor
Minha dor, poesia,
Mais do que você merecia
Seus olhos de esfinge desviam dos meus
E eu não quero te olhar nunca mais

Animal vertebrado,
Sozinho ao seu lado,
Eu não fico nunca mais

Autodidata, passou da data,
Validade de consumo expirada
Cuidado com a diarréia

O Ing e o yang estão fazendo 69
Os ponteiros do relógio estão fudendo
Quanto mais eu rasgo, menos remove,
Percebo que sou eu que estou morrendo

E você tropeça numa poça de porra
E eu me afogo numa poça de lágrimas
A gente só tem aquilo que merece
E eu acabo de entender porque não tenho nada

sábado, 26 de novembro de 2011

"Quero muito dinheiro e uma vida melhor, antes que o castelo se transforme em ."

sábado, 5 de novembro de 2011

Dança

Aceita a última dança? Só sei dançar uma única coreografia, é quase como valsa. Dois passos para a frente, cem passos para trás.
E essa é a história da minha vida.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Telefonema

- Alô.
- Oi, tudo bem?
- Não.
- É, por aqui também não...liguei pra saber de você...
- Que merda, né?
- Mais ou menos...sua voz tá horrível.
- Brigado. Que você almoçou hoje?
- Comi pão de queijo com queijo cheddar e Matte Leão, e você?
- Meio maço de Marlboro vermelho, Heineken e Bubbaloo de morango.
- Vai se fuder!
- Tudo bem, boa tarde.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meu remédio é o meu veneno.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Existem pessoas normais e pessoas excepcionais...eu sou DECEPCIONAL.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um ninho de amor com vista para o mar, e se o tempo tivesse um botão de pausa, eu usaria por ali mesmo. Em algum ponto da extensão da areia da praia de Copacabana eu perdi meu coração. E no toque dos teus dedos roídos com meus dedos mortos, eu, que nunca fui muito de acreditar em energia e espírito senti algo que ainda sinto e não consigo explicar. Energia que transborda, que inebria; uma dose de você e eu, pela primeira vez na vida quase perco o controle sobre meus atos e palavras.

O cheiro de mar, de erva e do seu cabelo se misturam em um perfume convidativo e seguro, onde eu me afundo até o pescoço. Seu coração na minha mão, literalmente. E o mundo inteiro desaparece, duas almas estranhas sendo uma só por um breve momento. O vento sopra, e uma sensação de vida e completude tão grande toma conta de mim a ponto de eu não conseguir sequer funcionar direito. Cada vez mais fica difícil tomar conta das palavras e dos atos, eu não quero soltar sua mão, eu não quero ir embora nunca mais. A fumaça sobre, e junto com ela, sobre pela laringe a certeza de que as coisas não são e não serão mais as mesmas.

Como se tirasse fotos sensoriais, procuro guardar dentro de mim cada pedacinho de você, o cheiro, o toque, o sorriso tímido e sincero como nenhum outro, o aparelho, o hálito, o perfume, o cafuné, o esmalte desbotando nas unhas e tudo mais que possa me fazer companhia ao menos em sonho. Será isso amor à primeira vista? E agora eu me torno uma menina desprotegida e inocente apaixonada por uma menina desprotegida e inocente...parece até cachorro que se coça até abrir ferida...

E como nos melhores sonhos, quando menos se espera e quando menos se deseja, acaba. Não queria ter dado ESSE abraço, abraço de adeus, abraço de morte. E então, lá vai você, com cara de "é isso aí", e eu ali, com lágrimas de felicidade e tristeza ao mesmo tempo, assistindo tua partida e sentindo como se parte de mim estivesse subindo para o trigésimo sexto andar para nunca mais voltar...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Acordar cansado porque a última vez que havia dormido foi quinta feira. Gosto ruim na boca, peso na alma e um nó na garganta, o dia é longo, e as vezes não sobra nem tempo para cagar. Segunda feira é dia de fazer a barba, de voltar pro mundo real, viver sonhando machuca como cortes de papel.

Depois de dez horas seguidas trabalhando, só volto a alugar minha alma amanhã. O pôr do sol na praia vermelha e minhas lágrimas devem ser mais salgadas que as do mar. E eu que digo pra todo mundo que pergunta que agora sou feliz, desabo do quinto andar da minha própria imprudencia, eu tenho pais, eu tenho amigos, emprego, faculdade, namorada e ainda assim sinto como se não tivese coisa alguma.

O sol desce como se entrasse no mar, o vento desengrenha meu cabelo e eu devo parecer horrível, e como não fazia a tempos, pelo menos por um pouco eu não me importo em parecer bem, as pessoas vêem de longe e sentem pena ou fingem que não veem, e é assim que todos nós preferimos fazer com o que nos aflige. Permissão concedida para não tentar ser forte e invencível por uns vinte minutos. A luta mal começa e eu já penso em desistir. De quanto tempo você precisa para se libertar? Talvez eu precise de umas décadas.

Sete da noite e eu almoço um copo de café com um salgado murcho de padaria. E eu só vou pra casa porque não tenho nenhum outro lugar pra ir. É só outra segunda feira, e amanhã será só outra terça feira. Quando você tem tudo e não tem nada, o problema só pode ser você mesmo. Talvez o único remédio seja não ter vergonha de chorar em público, pois dor é de graça, tem pra todo mundo. Pegue um prato e talheres, te convido para um banquete de dor, por aqui sempre tem de sobra.

sábado, 20 de agosto de 2011

Enquanto você dorme no meu peito como se não houvesse nada no mundo que possa te acordar eu sinto medo. Medo de cada frase que você já me disse ou possa vir a dizer, medo de tudo que sei, e mais medo ainda de tudo que não sei, sentindo medo de sentir medo. Depois de tantos anos sozinho, sentindo raiva e fazendo questão de não ser nada além de passageiro na vida dos outros, por alguma razão desconhecida (ou puro tédio da mesmice)dessa vez eu quero ser algo para alguém, quero ser algo para você.

Eu ouso dizer que isso que sinto por ti é amor. E meu amor por ti é proporcional ao meu ódio. Quanto mais te amo, mais te odeio. Amor, ódio e medo andam de mãos dadas rindo da minha cara, vindo em minha direção, cada vez mais perto, não consigo nem prever os efeitos da colisão.

"Não é a mais bonita mas é a melhor atriz
Não é a que me cura, mas me faz feliz"

Enquanto você dorme eu tomo todo o cuidado para levantar sem te acordar. Com uma culpa gigantesca como a minha felicidade, eu, que nunca fiz nada nem para mim mesmo corro para tentar fazer para você um café da manhã tão bonito e apetitoso quanto eu conseguir. Pela primeira vez eu entendo o que os apaixonados sentem, pela primeira vez na vida eu faço algo com carinho, com cuidado.

Alguns minutos depois você acorda de mau humor e eu venho que nem um bobo com uma bandeja cheia para você. Levantando, você diz que não está com fome, coloca a roupa com pressa e sai sem nem escovar os dentes. E é aí que eu me sinto a pessoa mais burra do mundo, é aí que meu medo cresce, aí que eu percebo quão perigoso é isso de gostar de alguém. Quanto mais tempo eu fico fora do buraco, mais eu me machuco. E talvez o pior de tudo seja que agora a sua opinião e o que você sente importam para mim.

As única certezas que tenho são que:
1º Se eu não me destruir quem vai fazer isso é você.
2º Eu nunca conseguirei construir mais que paredes pela metade.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Da Felicidade


Texto encontrado em um caderno da oitava série, quando Madame Morte nada mais era que uma mocinha revoltada.


Somos nada mais que pacientes terminais numa doença chamada vida. Doença essa, que devora células, sanidade e tempo, doença essa, que como as mais belas flores, germina, desabrocha, e declina curvando-se ao chão.

Somos nada mais que pacientes esperando uma cura, uma solução improvável para esse problema vitalício. Viver é dor em todas suas formas, aspectos e oportunidades. Nenhum caminho leva à felicidade verdadeira, tudo sempre acaba da mesma forma, não importa o quanto tentemos ou recomecemos, todos os meios levam ao mesmo fim; dor.

Após alguns sorrisos amarelos cheguei à conclusão de que cada sorriso é inútil por si só, que o ser humano e a vida são algo bem próximo de um erro fatal. A tristeza é mãe de cada gargalhada profunda.

Felicidade é um acidente que ocorre a partir de acidentes menores. O ser humano já nasce chorando, e ao morrer causa choro em todos que o amem. A expressão facial humana é séria por natureza, é preciso fazer esforço muscular para sorrir, e os músculos faciais não aguentam segurar o sorriso por muito tempo, de forma que começam a doer depois de alguns minutos. Basta a força da gravidade para tirar um sorriso. Tentar ser feliz e sustentar a felicidade é algo trabalhoso, doloroso, que consome muita energia e é fadado ao fracasso inevitável.

Lágrimas causam desidratação leve e irrigam a derme do rosto. É preciso beber água. É preciso reter água. O corpo em sua concepção básica é feito para ser inflingido pela dor de forma que não quebre por inteiro, a natureza é debochada e cruel. Sangue é barato, está em todos nós. E jorra. Nossos calcanhares estão molhados de sangue e lágrimas derramados ao longo da vida, a pele é feita para sangrar, o corpo, para perecer.

Nada termina bem, com excessão do fim em si, que purifica a alma de qualquer ser vivo. É inútil prosseguir, cada um de nós é um fim ambulante. Deus criou um homem à sua imagem, e o homem criou um deus à sua imagem, fraco, sarcástico e cruel. Fé é dor. Crer em algo, esperar algo ou duvidar de algo são tarefas tortuosas, esperando algo ou alguém de qualquer coisa, a decepção é o único fim, não temos para onde correr.

Deixemos de perder tempo tentando não perder tempo, é inexoravel tentar continuar. Felicidade nada mais é que tristeza germinando.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Minha mãe acaba de me dizer que o futuro guarda pras pessoas o que elas merecem.
Já vi que meu futuro será uma merda...

terça-feira, 19 de julho de 2011

"Feeling like a freak on a leash
Felling like I have no release
How many times have I felt disease?
Nothing in my life is free"

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O problema de o trem seguir o caminho correto é o tamanho do risco do percurso e o perigo de descarrilamentos e acidentes graves...

sábado, 25 de junho de 2011

E aquele que só se preocupa consigo mesmo e seu próprio benefício?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Fui procurar o número do meu pai na agenda do celular e percebi que praticamente todas as pessoas com o número registrado ali já foram embora da minha vida ou não me atenderiam se eu por acaso tivesse créditos para fazer um telefonema amistoso. No fim das contas eu não tenho para quem ligar e ninguém liga para mim, e como se fosse vômito quente subindo do estômago em direção a boca, sobe uma sensação horrível de tristeza e solidão aos olhos. E quando menos se espera, se ver dessa forma faz sentir vontade de abandonar a si próprio deixando uma sensação pior ainda, um misto de asco e pena, uma receita de merda com estrume.

O problema é que de alguma forma eu fiz cada uma dessas pessoas irem embora e as que queriam ficar, eu fiz questão de sair de perto por algum motivo bobo ou inventado, como desculpas idiotas para não fazer algo como ir à igreja, fazer regime ou usar camisinha. Com um empurrãozinho meu cada um de vocês foi viver mais feliz do que quando estava comigo, talvez eu tenha até feito algum tipo de favor. É como se eu abdicasse da alegria pelo prazer da dor, não faz muito sentido. E uma hora cansa. No fim das contas eu não sou nada além de passageiro, e muitas vezes, depois de um tempo eu talvez não seja nada mais que lembranças que seriam melhor se fossem esquecidas.

A dor no peito chega a ser física, e sente-se um peso incrível e desesperador dentro de si, as lágrimas escorrem pela cara quentes e descontroladas acariciando as bochechas e pingando pela barba por fazer. Dói mais que nunca cada vez que fiz papel de bobo, cada vez que menti e machuquei alguém e sobretudo, me dói a minha própria dor, única coisa que me move e me comove, egoísta, suíno. Chega um período da vida em que as pessoas começam a construir suas vidas, seus impérios. Eu por aqui até agora só tenho erros, culpa e arrependimentos. Tá vendo essa merda toda? Fui eu que fiz.


"I'd rather feel pain than nothing at all."

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sinceridade Canina.

A alguns momentos atrás eu chorava que nem uma bicha me sentindo fraco, sozinho e impotente, e então com muito carinho e um rabinho abanando ela vem lamber minhas lágrimas e mordiscar minha mão para pelo menos tentar me animar e mostrar um pouco de amor, nessa hora então eu percebo que não estou sozinho, e quanto sirvo para alguma coisa. Talvez seja apenas gratidão, mas eu tenho certeza que ela quer estar comigo, que gosta daqui, e certeza absoluta de que ela me ama.

É só uma cadela, e é mais sincera que qualquer humano que já conheci, é só uma vira-latas e é mais doce e verdadeira que qualquer dessas que me juram amor enquanto tomam no cu. Ela não mente, não trai, não se importa com coisas mais fúteis que brincar, comer e me fazer feliz.


A bebezinha mais fofinha e comilona que eu já vi, já comeu cerca de 10 pares de chinelos, duas camisas que eu gostava e muitas coisas mais. Hoje já é uma mocinha, que continua destruindo coisas, mas de alguma forma estranha me entende e a todo custo deseja e tenta me fazer bem. Dentre limpar bosta e mijo e tentar ensinar algo, eu percebo que aprendo muito mais do que tento ensinar e que recebo muito mais do que consigo dar.

Sem pedir nada em troca, a Malu me ama mesmo eu sendo pobre, mesmo eu sendo feio, mesmo eu não tendo nada a oferecer além de abrigo e carinho, e isso enche meu peito com tanta alegria, faz eu me sentir tão útil e necessário e é retribuido da mesma forma, e talvez funcione melhor que qualquer casamento perfeito ou coisa do tipo.


Não sei com exatidão quando ela nasceu nem onde nasceu, mas dentro de alguns dias vai completar um ano que ela foi achada na rua e adotada. A alegria da casa, minha melhor amiga, minha irmãzinha pretona. Engraçado a forma como as pessoas e as coisas tomam rumos não planejados, às vezes a vida até que prega umas peças divertidas na gente.

No mais, se você aguentou ler isso tudo, obrigado. E não compre um cachorro, ADOTE.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Abre uma cova no meu peito e deita dentro.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Atende o telefone por favor, eu não estou.
Fecha a janela para a luz não entrar
Liga a televisão só para quebrar o silencio.
Comida de microondas e radiação letal

Seja bem vindo, sente-se no seu lugar
Filme repetido, final sem graça
Já cansei de ver essa história
Nunca mais, essa é a última vez

Vou levar dois desse aqui por favor.
Embrulha pra viagem, eu vou comer em casa.
E adicione o dobro de queijo com mais um real

Perdeu a paciência esperando por você
Perdeu o ônibus do outro lado da rua
Perdeu o rumo a muitos anos atrás

sábado, 28 de maio de 2011

Sexta-feira à noite, falta de compromisso, uma garrafa de vinho barato, ônibus vazio e escuro, eu e você, e temos aí uma bela receita de merda coberta com estrume. E a cidade nunca pareceu tão divertida e ébria, egos megalomaníacos descontrolados, tesão e nosso único problema imediato é manter o ritmo das coisas sem derrubar vinho com o balançar do ônibus.

Você bêbada falando alto sobre qualquer banalidade e eu olhando para seus peitos quase me sinto mal por não conseguir prestar atenção e concordo com tudo que diz. O tempo chuvoso só serve de desculpa pra ficar se agarrando e fazendo sacanagem. Beijos com gosto de cigarro e pela primeira vez em muito tempo eu sou fumante passivo sem sentir nenhuma vontade de acender um cigarro. Quanto mais tontos, mais engraçados, as coisas parecem mais simples do que de fato são, e quanto mais se tem mais se quer, de forma que as pessoas que passam por perto parecem chocadas com tamanha lascívia.

Mesmo com o céu nublado e uma leve chuva ver o por do sol em Ipanema faz todo o sentido do mundo. As calçadas de pedras portuguesas pretas, brancas e irregulares, as prostitutas com roupas mínimas em um frio de 18 graus e eu segurando seu cabelo enquanto vomita na árvore mais próxima. É linda até vomitando. Depois de tanta aventura esperar o dia nascer ouvindo o som do mar e sentindo seu cheirinho é agradável e feliz.

Esse tipo de coisa é estranho demais, a forma como as pessoas vem e não voltam nunca mais, a forma como eu vou e não volto nunca mais, e o presente é só um protótipo de passado, eu quase choro em saber que o sol logo irá subir o céu e então cada um de nós seguirá para um lado para num futuro próximo nos encontrarmos e fingir que nada disso aconteceu.

A bebida acaba, a noite termina, as pessoas ficam sóbrias, vão embora e as pequenas fugas de si mesmo se mostram extremamente divertidas, prazerosas e inúteis. Preciso fazer isso mais vezes.

domingo, 22 de maio de 2011

Preciso



E esse blógue idiota está cada vez mais coisa de menininha adolescente...
A cereja do bolo estava podre.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Acordar, esfregar os olhos, dar uma bela mijada e ainda na cama, um ou dois cigarros, esse era o café dos campeões. E ao longo do dia, quantos cigarros mais eu conseguisse pagar ou fumar. Uma beleza inexplicável assistir o cigarro queimando e soltando uma fumaça levemente azulada que sobe mais leve que o ar de forma desordenada e ao mesmo tempo uniforme. Sentir os pulmões sendo acariciados e então libertar o ar para qualquer direção, livre, cinza.

Dizem que tudo tem sua hora, que tudo tem seu tempo, mas duvido que haja algum tempo ou hora para as pessoas começarem a fumar. Eu comecei quatro anos atrás. E por volta de oito da noite de hoje completar-se-á um mês que eu não fumo. Nos últimos dois anos foram dezenas de tentativas frustradas de largar o tabaco, e então súbitamente eu enjoo e deixo de sentir vontade ou prazer em ingerir e soltar fumaça. Bom para o meu bolso, bom para meus pulmões. Não estou reclamando de nada, pelo contrário, mas a questão é; como eu pude ficar tão frio assim a ponto de enjoar de um dos meus poucos e maiores prazeres?

Cada vez mais as coisas e pessoas se tornam menos interessantes, e como nos relatos de viciados "você precisa de cada vez mais para conseguir algum tipo de emoção", até que as coisas entrem em colapso e você se fode de alguma forma. Seria ótimo poder controlar as coisas nesse nível, escolher o que se gosta, o que se faz e com quem se faz, de forma que tudo não desaparecesse devagar e de forma que fosse divertido e prazeroso na maior parte do tempo. Enquanto não se tem controle nem sobre o propro aparente auto-controle, vejamos até onde as coisas chegam. Quando essa montanha de gelo derreter será tarde demais e não sobrará mais nada.

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"I can tell you what's good, but i can't tell you what's what."

segunda-feira, 16 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Ressaca

Engraçado a forma como a gente sempre volta um pro outro por falta de alguém que nos suporte ou nos aceite. No fim das contas até dá pra ficar a vontade com você, conversa à meia voz e uma ou duas verdades de cada lado, se fosse sempre assim talvez não tivesse a mesma graça. De qualquer forma, não tem graça nenhuma mesmo. Tem gente que é fria por dentro, mas eu e você superamos isso de forma que quebrar o gelo seja tão divertido quando quebrar as costas e ser sincero seja tão fácil quanto ganhar na loteria. Algumas horas que se logo transformam em culpa pra durar por algumas semanas, como se fosse compra do mês. Gostaria que fosse tão fácil pra mim quanto é para ti, olhar nos olhos e contar mentiras, falsear amor e fingir que está tudo bem. E a gente sempre jura que vai ser a última vez, e sempre briga, e sempre se machuca, e sempre acaba voltando a fazer merda. É tão chato quanto parar de fumar e não conseguir.Um beijo azedo e eu vou pra casa tirar o cheiro de você em mim, e sugiro que faças o mesmo o mais rápido possível.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem."

Millôr Fernandes

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A primeira

Eu gosto de dormir no seu sofá.
Com você.
Eu gosto de acordar e ver
Que é tão só ao seu lado quanto é estar sozinho.

Você foi a primeira.

Um beijo azedo e indigesto.
Bom dia.
É triste acordar com você
Mas se não for eu pode (e vai) ser qualquer outro.

Você foi a primeira.

Eu me ocupo com você
Eu me culpo por você
Você foi a primeira.

E eu te faria mais feliz se me deixasse fazê-lo
E eu te daria mais prazer se me desses mais amor
E eu até faria um poema melhor que esse
Se não fosse tão inutil pra ti quanto eu sou

Dá até para entender porque ninguém gosta de você
Por algum motivo que talvez nem eu saiba eu continuo
Olho por olho e eu fico cada vez mais cego em ti
Quanto mais eu fico mais eu desejo ir embora

Você foi a primeira.
A me perder.

domingo, 24 de abril de 2011

Você

Não, você não é como as outras garotas. VOCÊ É PIOR.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Shedding Skin

Preciso de férias, de férias ao contrário. Onde eu trabalhe sem parar e mal tenha tempo pra ir mijar ou cuidar da higiene pessoal. Férias em que eu não tenha que me lembrar de cada mentira que me contam e de cada mentira que eu invento e conto com a maior naturalidade do mundo, onde não joguem jogos psicológicos e usem de subterfúgios, onde as pessoas não tenham segundas, terceiras ou infinitas intenções por trás do que fazem ou dizem. Ninguém irá dar falta de mim, gostaria que acontecesse o mesmo comigo, não sentindo falta de nenhum de vocês. Um lugar onde as pessoas não atuem como se disputassem um Oscar, um lugar onde a única maldade que existisse fosse dormir sem escovar os dentes ou comer mais doce do que se aguenta. Talvez eu gaste o que sobrou do meu salário comprando um sacão de batatas pra descascar, já que não posso viajar para esse lugar. É hora de sumir por uns tempos, assim como as cobras quando vão trocar de pele.

sábado, 26 de março de 2011

Parabéns pra mim.

Aniversário é sempre uma merda. Tão só esse ano quanto era ano passado. E apesar de tanta mudança continua tudo igual. Eu não parei de fumar, eu não parei de beber, não resolvi os problemas que devia resolver nem ajudei ninguém, eu não consegui entrar pra faculdade e todas as mulheres que disseram que gostavam de mim me fuderam com um beijo na boca e uma faca nas costas.

Minha única festinha foi quando eu fiz três anos. Lembro de um monte de crianças felizes e correndo e várias bolas e enfeites dos Cavaleiros do Zodiaco espalhados, e do bolo e de todo mundo cantando pra mim e sorrindo. E hoje eu faço mais outro aniversário e estou no trabalho e não vai ter festa da mesma forma que não teve festa nos últimos 17 anos, nada a ser comemorado. Saindo do trabalho eu vou encher a cara. Sozinho.

A última vez que ganhei presente foi na quarta série, que ganhei um pirulito que virava chiclete. E apesar de ser bobinho significa bastante pra mim. Sinto falta do tempo onde minha mãe se importava comigo, onde andava comigo de mãos dadas na rua e não tinha vergonha de mim, de andar na corcunda do papai e ver o mundo de lá de cima...hoje em dia eu sou só o que sobrou de um passado pouco feliz e cheio de pequenos problemas. Um abraço seria o melhor presente do mundo. Já faz um ou dois meses que ando pedindo isso por aí sem sucesso algum.


Obrigado ao meu pai por esquecer meu aniversário. Obrigado por todos os scraps de orkut, facebook, e e-mails de aniversário que eu não recebi. Obrigado por todas as ligações de amigos e parentes que não me ligaram. É no mínimo esclarecedor perceber o seu lugar e importância no mundo. Ninguém tem obrigação de lembrar de ninguém, e eu de forma alguma devia esperar algum tipo de consideração ou carinho de qualquer pessoa, é arrogância demais. Cresce, Lucas.

É só mais um aniversário. E aniversário é sempre uma merda.

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"Alguém me dê um novo coração, pois esse já não bate nem apanha."

sexta-feira, 18 de março de 2011

"A gente sempre morre cedo demais - ou tarde demais. E, no entanto, a vida está lá: a linha está traçadaa, agora é fazer a soma. Você não tem nada além da sua vida."


(Entre quatro paredes - Jean Paul Sartre)


As vezes nem isso...

sábado, 12 de março de 2011

Minha vida é um descompasso.
Dos trinta eu não passo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Todo carnaval tem seu fim

Entre mais de duas dezenas de litros de álcool, uma centena de cigarros , uma dúzia de blocos, e meia dúzia de mulheres diferentes e fáceis, a cada carnaval que passa a única coisa que percebo é que fico cada vez mais velho; me divirto cada vez mais e não consigo aguentar meu próprio ritmo.

Um caco de garrafa de vodka cravado no meu pé, um furo enorme no meu all star, muito sangue na calçada e as pessoas todas desviando para seguirem suas vidas egoístas e bêbadas.Se for para olhar o lado bom das coisas, ao menos uma caipirinha eu ganhei.

Perdi a conta de quantos muros e postes e arvores e qualquer objeto na minha mira eu mijei em cima nesses dias.Perdi a conta de quantos foras tomei.Mas o número que com certeza vou demorar a esquecer é o três.Qualquer cara diria que a coisa mais legal do mundo é ser disputado e dividido entre duas melhores amigas ao mesmo tempo.Mas eu não.Ainda mais quando as duas são melhores amigas e já viveram comigo histórias passadas e mal sucedidas.O mais incrível de tudo é que eu reclamo mas sempre deixo voltarem, sempre deixo a porta aberta.No fim das contas, após usar, abusar e ser usado e abusado, a única sensação que sobra é a de ser um objeto senil, de ser apenas um meio para que duas amigas em crise se ofendam e disputem entre si tentando provar superioridade.

Fica cada vez mais difícil para mim continuar encontrando dezenas de olhos que não tem coragem de olhar nos meus, de beijar inúmeras bocas sem gosto algum, de dormir junto e ainda assim estar sozinho, de acordar com gosto de guarda chuva na boca.Pelo visto nenhuma mulher me leva a sério.Talvez se deixar crescer um bigode tenha alguma credibilidade, mas de qualquer forma, no final a dor vai ser sempre a mesma.

Quarta feira de cinzas trabalhando, respiração pesada, tosse seca, arranhões nas costas, ressaca e toda a dignidade que eu tinha foi trocada por um monte de putaria barata.E a alma dói tanto que eu não consigo segurar o choro.E quem me olha na rua parece até sentir pena, e nem imagina que a algumas horas atrás eu me diverti tanto.Dizem por aí que a vida não é feita só de bons momentos, mas quando os bons momentos não significam nada nem tem valor algum, talvez nem de bons momentos possam ser chamados.

Não consigo ficar a vontade, não consigo gostar de ninguém, e pelo visto, ninguém gosta de mim também.Lágrimas nos olhos e há muito tempo eu não me sentia tão humilhado a ponto de pedir um abraço para alguém (que tanto parece se interessar por mim...e ouvir um não com deboche e desdém).

No final da história eu vou sempre ser só uma foda, ou duas, ou três.No final da história eu sempre estou e sempre vou estar só.Na vida das pessoas, sou apenas passageiro e meu nome do meio é passado; me tornei um mero acessório, que se usa quando dá vontade apenas para se sentir melhor.E quando tiver afim, por favor, não faça cerimônia em me ligar fazendo voz de menininha boazinha e me oferecer uma bebida e um carinho, eu sou um filho da puta e vou aceitar na hora.

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" Through the storms and the light
Baby, you stood by my side, and life is wine
You feel the sweet breath of time
It's whispering its truth not mine,
Theres no I in threesome "

domingo, 6 de março de 2011


"Existem duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos". (Albert Schweizer)

sábado, 5 de março de 2011

Minha melhor invenção foi você.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Anjo

A lei do eterno retorno traz pra você tudo de ruim que fizeste para mim, e a lei do retorno te faz retornar, como já era sabido e previsível como tu.E não sei se retornas por medo de estar só ou se retornas por eu ser o menos escroto dentre os escrotos que te divertem.Jamais é uma palavra que não tem o menor valor, assim como amor.O mundo dá mais voltas do que se percebe, e eu, que sei como é perder no seu próprio jogo, sei o quanto é difícil seguir, e isso até me agrada.Engraçado como as pessoas ficam boazinhas quando fragilizadas, por alguns instantes, chega a dar dó.Vingança é perda de tempo e de energia, mas um pouco de diversão não faz mal a ninguém.Essa merda tem tudo pra dar errado mais uma vez, eu, que sempre estou indo embora e você que sempre está voltando.Ao seu lado por outro breve período talvez seja a melhor coisa que pode nos acontecer.Você é tão adorável quanto um anjo.Anjo de cemitério.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

I bid you farewell,
see you in hell.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Por mais que eu tente, nunca consigo amputar de mim essa inocência boba e essa benevolência inútil que tanto me fodem.Últimamente, a única coisa que eu tenho esperado das pessoas em troca da minha sinceridade e do meu carinho é que elas não me apunhalem pelas costas.No entanto a única coisa que eu tento manter distância é a única coisa que fica perto de mim, se aloja como hóspede na minha caixa toráxica e deixa o peito pesado, de forma que você tropece e quase caia a cada passo que tenta dar.

Talvez isso tudo seja pagamento por ter sido escroto e mentiroso por tantos anos.Ou então talvez eu só não tenha me surpreendido tanto com a capacidade de filhadaputagem das pessoas antes porque eu eu não mantinha contato com pessoas.Estou ficando doente, dessa vez chega a ser físico.Gripe, febre, tosse de cachorro, dores no corpo inteiro e a respiração pesada como se eu carregasse um caminhão de entulhos nas costas.Meu rendimento que já era baixo agora esta na margem zero...e mesmo toda força de vontade e pensamento positivo e paciência não são o suficiente.Eu só quero deitar e descansar, mas minha vontade de tentar me redimir comigo mesmo é tão grande que eu mal consigo dormir 4 horas completas.

Parece que cada minuto seguinte ao minuto presente será um disperdício do minuto anterior.Perda de tempo é um preço muito alto a pagar, espero que valha de alguma coisa no final das contas.Eu só queria um pouquinho de resultados dessa vida abstêmia de drogas, putaria e ódio.Se eu continuar dando os braços a torcer daqui a pouco eu fico aleijado.

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"Run away, I can't stay
Lead the way, make you pay

Counting on me
Always hoping I'll be
There for all of your problems
And in turn you're never there for me
You sucked the life out of me
You hate everything you see
I can't take this anymore
I always stay when I should leave"

domingo, 13 de fevereiro de 2011

E quando me perguntam como ou porque eu me tornei tão frio e sem emoções eu mesmo não sei responder.Eu sempre vejo as pessoas pelas costas porque elas sempre estão indo embora.Todos passam e levam um pedaço e deixam alguma marca, ao mesmo tempo que me destroem, um novo eu se constrói a partir de escombros que logo é destruído para então ser construido algo novo.E as novas construções tem material cada vez mais fraco e são cada vez mais pobres e imperfeitas.

Às vezes eu até gosto de me sentir assim.Às vezes me surpreendo com minha própria falta de sentimentos, o não amar, o não odiar, o não viver; estado de torpor, apático, patético, apatético.E nenhuma boca tem gosto, e nenhum olhar tem cor, e nenhuma mão esquenta a minha.O problema sou eu.E às vezes eu até prefiro que seja assim e que eu seja o único problema.Parece que a única coisa que eu sinto é falta de sentir.E assim eu já me sinto bem.

As mentiras que eu conto e as mentiras que me contam formam lindos casais que se esfaqueiam entre si e se engasgam com seu próprio sangue.Ninguém é inocente, e ao mesmo tempo ninguém merece punições tão severas.E como papel de bala que voa por várias calçadas em dias de vento eu me deixo levar só pelo prazer do desprazer.Duas maçãs podres que juntas não dão nem metade de um pedaço bom; talvez eu só perca tempo e energia com coisas que não vão à lugar algum porque de fato não queira ir à lugar algum.Antes de preparar minhas malas eu preparo curativos e ataduras, porque se tem algo que eu nunca falho é em falhar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quatro dedos na sua buceta
Pior é quem faz ou quem permite?
Um dia e um ano não fazem diferença
Aponta e atira antes que eu grite

Minha lingua na sua gengiva
Dentes afogados em saliva

Dentro de você, tão incômodo quanto peso na consciência
Fora de você, tão certo quanto dependente químico e abstinência

Viciante como morfina
Seiva doce e fina

Não faz diferença quanta diferença faz,
Quanto tempo falta para chegar no fim
Não espero nada de você
Assim como não esperas nada de mim

domingo, 6 de fevereiro de 2011


Entre tropeços pelo asfalto mal pavimentado, vandalismos leves e conversas de bêbado, chega-se à única conclusão da noite que faz algum sentido: A SELVA É SELVAGEM.Percebendo que a vida é uma analogia porca de si mesma, decido continuar o resto da noite sozinho como sempre fui, como sempre foi.Bêbado o suficiente para não me lembrar qual a diferença entre selva e floresta, me imagino uma raposa.

Raposa solitária, que mora na metade da montanha, mas não é apenas uma montanha, é a montanha mais alta do mundo, mais inóspita, mais gelada.Raposa sem matilha, raposa sem escrúpulos, raposa sem coração, que mora em uma fenda na pedra e lá se aloja até que precise de algo, saindo então para matar e destruir qualquer sinal de vida que encontrar em seu caminho.

Raposa esta que não se arrisca, que não petisca, que não sorri.Restos de carne entre os dentes, manchas de sangue no pelo fosco, a fenda na pedra se torna uma extensão de seus próprios pensamentos e desejos.Escuro e seguro, gelado e sozinho, não tem lugar para mais de um.

E os anos vão passando e a raposa vai envelhecendo e fica cada vez mais difícil se esconder e se alimentar, e a cada minuto que passa fora de sua toca a raposa se torna presa fácil para qualquer faminto ou odioso, e então agora a raposa que se encontra no caminho dos outros e não o oposto.A cada dia que acorda a raposa sabe que pode ser seu último, a cada refeição, sente que poderia ter comido mais.

E desde o início o fim vem se aproximando como um trem, gigante e infinito, e tudo que foi feito não terá a mínima importância, e tudo que não foi feito deixa um peso de uma tonelada na consciência da raposa, no fim das contas só sobra remorso e solidão.Aceitação dos fatos faz parte da vida.E a raposa senta e aguarda por algo que sequer imagina o que é.

Na metade da montanha mais inóspita e mais gelada, a raposa observa a névoa e ouve o vento soprar uma canção de despedida.
Do chão não passa.Se a raposa não quebrar o chão, o chão a quebra.E tão pesada quanto a gravidade a raposa voa até que se choque contra o solo.As raposas não tem escrúpulos, as raposas não tem coração.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Odeio quem me rouba a solidão sem verdadeiramente me oferecer companhia."

Nietzsche

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Agora.

A partir de agora o peso na minha consciência só serve para fazer musculação.
A partir de agora quando eu quebrar a cara eu ao menos quebrarei o gelo.
A partir de agora eu só me machuco para lembrar que sou humano.
A partir de agora eu só sorrio para agradar quem me dê algo em troca.
A partir de agora tudo vai ser a mesma merda que sempre foi.
A partir de agora não tem mais agora.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Buraco

Que buraco sem fim, nem tem água e eu estou me afogando...
Até o pescoço.
Até a alma.
Até a puta que o pariu.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ainda não descobri se virei bicho ou virei bixa, as coisas nunca mais foram a mesma coisa desde que eu...nem sei quando ou o quê...é como acordar no próprio vômito e nem se lembrar de como foi parar onde está do jeito que está.As coisas acontecem de tal forma que você só percebe que está fudido quando a rola entra no seu cu.E você come tudo que encontra pela frente só para não fumar um cigarro, e você falseia todos os sorrisos que dá e não é nem por educação, e você vai ao banheiro toda hora chorar escondido, é como se todo o passado e a parte que você amputou de você mesmo voltasse em uma noite chuvossa dando murros na porta e pedindo pra entrar.Vai acordar os vizinhos, vai chegar atrasasado, mais atrasado que sua menstruação, mais escroto que eu, mais escroto que sanduíche de picles.Meu coração cabe em uma caixa de fósforos, na sua buceta cabe um anão, e quanto mais cedo os moribundos aceitam a morte, mais fácil fica encomendar o funeral.Faz tanto sentido quanto querer e não poder, faz tanta diferença quanto amar e jogar isso fora.Procedimentos de rotina, instrumentos esterilizados, o paciente já espera na sala de operações com o cu pra cima e a dignidade na casa do caralho.Normal, sempre acontece, tipo os filmes repetidos da sessão da tarde.No fim das contas, ninguém gosta de mim e eu não gosto de ninguém, especialmente de mim mesmo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Querido deus, favor me odiar um pouquinho menos.

Ass: Lucas.

domingo, 9 de janeiro de 2011


Uma semana sem meu melhor amigo.E para alguém que não confia em ninguém ter como seu melhor amigo e maior confidente um felino velho e gordo é completamente viável e normal.E como se fosse a melhor coisa do mundo ser ouvido mesmo sabendo estar apenas pronunciando sons sem nexo, eu tive alguém ao meu lado por onze anos, dividindo a mesma casa, a mesma cama, as mesmas manias e preferências, eu tive um melhor amigo.Que morreu.

É simples dizer e entender que tudo que nasce um dia morre, mas é completamente diferente e não tem a menor relevância quando se trata do seu único e melhor amigo agonizando e morrendo nos seus braços.Pode até parecer dramático ou idiota demais, mas eu não me relaciono com pessoas a longo prazo, os animais e as coisas sempre me trouxeram momentos muito mais felizes do que qualquer boca, qualquer buceta ou qualquer carreira de pó.

O gatinho que veio numa caixa de sapatos quando eu tinha 8 anos de idade, que chegou tão pequeno que cabia com sobras na mão de um guri de oito anos.Trouxe meus momentos mais íntimos e mais sinceros, mais verdadeiro do que qualquer declaração de amor, mais quente que qualquer abraço, dentro daqueles olhos amarelos eu via alguém que me entendia e que precisava de mim, e eu, igualmente o entendia e tenho necessidade daquela barriguinha rosada e daqueles olhares reconfortantes e daquele cheirinho de quem só toma banho uma vez por mês mas é mais cheiroso que qualquer perfume de marca.

Difícil pra caralho dormir sem aquele ronronar de gato feliz, chegar em casa sem ninguém me pedindo carinho e atenção...o que já era solitário é ainda pior.O que mais me consola e reconforta é ter certeza que meu bebezibho parou de sofrer e não vai mais gritar de dor a noite inteira, terminou a cota de sofrimento.

Apesar de todo o drama, toda a dor, todo o suor e todas as lágrimas, fizeste do meu mundo um lugar bem mais confortável e fofo para se existir.E o que antes era cinza agora é quase que semelhante ao olhar de um cego, não tem nem cor, não tem nada.No quintal vai nascer uma flor bem bonita e grande onde eu te enterrei.A flor também vai chamar Max.Ashes to ashes, dust to dust.Nunca irei te esquecer, companheiro.Eu te amo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Meus dias são como ganhar na loteria.Só que ao contrário.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Dizem que a vida é feita de altos e baixos.
Para alguns, a vida é feita de baixos e baixíssimos.

Sobra uma sensação de que tem gente que não merece ser feliz...você ganha algo legal para no auge da sua felicidade perder algo inestimável.É como se algumas pessoas fossem feitas para viver incompletas.É foda.

Feliz ano novo pra vocês também.