sábado, 28 de maio de 2011

Sexta-feira à noite, falta de compromisso, uma garrafa de vinho barato, ônibus vazio e escuro, eu e você, e temos aí uma bela receita de merda coberta com estrume. E a cidade nunca pareceu tão divertida e ébria, egos megalomaníacos descontrolados, tesão e nosso único problema imediato é manter o ritmo das coisas sem derrubar vinho com o balançar do ônibus.

Você bêbada falando alto sobre qualquer banalidade e eu olhando para seus peitos quase me sinto mal por não conseguir prestar atenção e concordo com tudo que diz. O tempo chuvoso só serve de desculpa pra ficar se agarrando e fazendo sacanagem. Beijos com gosto de cigarro e pela primeira vez em muito tempo eu sou fumante passivo sem sentir nenhuma vontade de acender um cigarro. Quanto mais tontos, mais engraçados, as coisas parecem mais simples do que de fato são, e quanto mais se tem mais se quer, de forma que as pessoas que passam por perto parecem chocadas com tamanha lascívia.

Mesmo com o céu nublado e uma leve chuva ver o por do sol em Ipanema faz todo o sentido do mundo. As calçadas de pedras portuguesas pretas, brancas e irregulares, as prostitutas com roupas mínimas em um frio de 18 graus e eu segurando seu cabelo enquanto vomita na árvore mais próxima. É linda até vomitando. Depois de tanta aventura esperar o dia nascer ouvindo o som do mar e sentindo seu cheirinho é agradável e feliz.

Esse tipo de coisa é estranho demais, a forma como as pessoas vem e não voltam nunca mais, a forma como eu vou e não volto nunca mais, e o presente é só um protótipo de passado, eu quase choro em saber que o sol logo irá subir o céu e então cada um de nós seguirá para um lado para num futuro próximo nos encontrarmos e fingir que nada disso aconteceu.

A bebida acaba, a noite termina, as pessoas ficam sóbrias, vão embora e as pequenas fugas de si mesmo se mostram extremamente divertidas, prazerosas e inúteis. Preciso fazer isso mais vezes.

domingo, 22 de maio de 2011

Preciso



E esse blógue idiota está cada vez mais coisa de menininha adolescente...
A cereja do bolo estava podre.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Acordar, esfregar os olhos, dar uma bela mijada e ainda na cama, um ou dois cigarros, esse era o café dos campeões. E ao longo do dia, quantos cigarros mais eu conseguisse pagar ou fumar. Uma beleza inexplicável assistir o cigarro queimando e soltando uma fumaça levemente azulada que sobe mais leve que o ar de forma desordenada e ao mesmo tempo uniforme. Sentir os pulmões sendo acariciados e então libertar o ar para qualquer direção, livre, cinza.

Dizem que tudo tem sua hora, que tudo tem seu tempo, mas duvido que haja algum tempo ou hora para as pessoas começarem a fumar. Eu comecei quatro anos atrás. E por volta de oito da noite de hoje completar-se-á um mês que eu não fumo. Nos últimos dois anos foram dezenas de tentativas frustradas de largar o tabaco, e então súbitamente eu enjoo e deixo de sentir vontade ou prazer em ingerir e soltar fumaça. Bom para o meu bolso, bom para meus pulmões. Não estou reclamando de nada, pelo contrário, mas a questão é; como eu pude ficar tão frio assim a ponto de enjoar de um dos meus poucos e maiores prazeres?

Cada vez mais as coisas e pessoas se tornam menos interessantes, e como nos relatos de viciados "você precisa de cada vez mais para conseguir algum tipo de emoção", até que as coisas entrem em colapso e você se fode de alguma forma. Seria ótimo poder controlar as coisas nesse nível, escolher o que se gosta, o que se faz e com quem se faz, de forma que tudo não desaparecesse devagar e de forma que fosse divertido e prazeroso na maior parte do tempo. Enquanto não se tem controle nem sobre o propro aparente auto-controle, vejamos até onde as coisas chegam. Quando essa montanha de gelo derreter será tarde demais e não sobrará mais nada.

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"I can tell you what's good, but i can't tell you what's what."

segunda-feira, 16 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Ressaca

Engraçado a forma como a gente sempre volta um pro outro por falta de alguém que nos suporte ou nos aceite. No fim das contas até dá pra ficar a vontade com você, conversa à meia voz e uma ou duas verdades de cada lado, se fosse sempre assim talvez não tivesse a mesma graça. De qualquer forma, não tem graça nenhuma mesmo. Tem gente que é fria por dentro, mas eu e você superamos isso de forma que quebrar o gelo seja tão divertido quando quebrar as costas e ser sincero seja tão fácil quanto ganhar na loteria. Algumas horas que se logo transformam em culpa pra durar por algumas semanas, como se fosse compra do mês. Gostaria que fosse tão fácil pra mim quanto é para ti, olhar nos olhos e contar mentiras, falsear amor e fingir que está tudo bem. E a gente sempre jura que vai ser a última vez, e sempre briga, e sempre se machuca, e sempre acaba voltando a fazer merda. É tão chato quanto parar de fumar e não conseguir.Um beijo azedo e eu vou pra casa tirar o cheiro de você em mim, e sugiro que faças o mesmo o mais rápido possível.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem."

Millôr Fernandes

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A primeira

Eu gosto de dormir no seu sofá.
Com você.
Eu gosto de acordar e ver
Que é tão só ao seu lado quanto é estar sozinho.

Você foi a primeira.

Um beijo azedo e indigesto.
Bom dia.
É triste acordar com você
Mas se não for eu pode (e vai) ser qualquer outro.

Você foi a primeira.

Eu me ocupo com você
Eu me culpo por você
Você foi a primeira.

E eu te faria mais feliz se me deixasse fazê-lo
E eu te daria mais prazer se me desses mais amor
E eu até faria um poema melhor que esse
Se não fosse tão inutil pra ti quanto eu sou

Dá até para entender porque ninguém gosta de você
Por algum motivo que talvez nem eu saiba eu continuo
Olho por olho e eu fico cada vez mais cego em ti
Quanto mais eu fico mais eu desejo ir embora

Você foi a primeira.
A me perder.